Operação contra agiotagem prende escrevente de cartório em Campinas
Investigação realiza ação contra organização que já acumulou 62 vítimas

O escrevente de cartório de notas, em Campinas (SP), foi preso nesta sexta-feira (6), durante a 'Operação Shylock', que investiga uma organização criminosa suspeita de agiotagem, extorsão, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Ao todo, a ação cumpre 35 mandados, sendo 11 de prisão preventiva. Segundo as apurações, até o momento, 62 pessoas foram vítimas e 18 perderam seus imóveis.
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Em nota, a defesa do escrevente informou que já pediu oficialmente permissão para acompanhar a investigação e ter acesso a todo o processo. Como o caso corre em segredo de Justiça, o escritório só vai se posicionar publicamente depois de analisar todos os documentos disponibilizados.
Veja a nota na íntegra
"O escritório informa que já formalizou solicitação de habilitação e acesso aos autos do procedimento investigatório em questão. Considerando que a investigação tramita sob sigilo, esclarece que, em respeito ao devido processo legal, ao exercício da ampla defesa e à responsabilidade que a matéria exige, somente se manifestará publicamente após ter acesso integral aos elementos disponibilizados à defesa, oportunidade em que prestará os esclarecimentos pertinentes de maneira técnica, responsável e fundamentada".
O que diz o cartório?
O 4º Cartório de Notas esclareceu que não é alvo da operação policial realizada hoje (6) e que a investigação não possui qualquer relação com os seus serviços. A ação envolveu exclusivamente um funcionário por fatos alheios ao cartório, restringindo-se à mesa de trabalho desse escrevente. Confira o comunicado completo:
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"O 4º Cartório de Notas esclarece que não é alvo da operação realizada pelas autoridades e não possui qualquer envolvimento com os fatos investigados.
A investigação envolveu exclusivamente um funcionário, por fatos desconhecidos e sem relação com as atividades ou serviços prestados pelo Cartório, tendo a busca se limitado à mesa desse escrevente.
O Cartório reforça que suas atividades são conduzidas em conformidade com a legislação e as normas da Corregedoria Geral da Justiça, mantendo seu compromisso com a ética, a transparência e a segurança jurídica.
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Por fim, informa que seus serviços seguem funcionando normalmente, sem qualquer prejuízo ao atendimento".
Entenda a investigação
Os mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em diversos endereços residenciais e empresariais localizados em Campinas (SP). Confira os bairros:
- Cambuí;
- Jardim Chapadão;
- Parque Prado;
- Nova Campinas;
- Nova Europa;
- Taquaral;
- Vila dos Plátanos;
- Vila Lemos;
- Vila São Bernardo;
- Também foi cumprido mandado de prisão de escrevente de cartório de notas da cidade.
Como o grupo atuava
De acordo com as investigações, os criminosos atuavam por meio de empréstimos particulares e exigia imóveis como garantia.
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Dessa forma, a vítima que não conseguia pagar o valor emprestado, poderia perder a propriedade.
Para realizar o crime, eles utilizavam estruturas empresariais, pessoas interpostas e mecanismos de ocultação patrimonial para dificultar a identificação dos efetivos beneficiários dos recursos movimentados.
Estrutura
As apurações indicam que a organização criminosa agia de forma estruturada, com divisão de funções. Veja as responsabilidades:
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- Encontrar vítimas;
- Negociar os empréstimos;
- Formalizar contrato;
- Administração financeira;
- Cobrança;
- Ocultação dos valores obtidos ilicitamente.
As investigações também apontam movimentações financeiras suspeitas, utilização de empresas de fachada e sucessivas transferências patrimoniais destinadas à dissimulação dos recursos obtidos com as atividades ilícitas.
Foram identificados, até o momento, aproximadamente 50 operações semelhantes envolvendo cerca de 62 vítimas, das quais 18 perderam seus imóveis em decorrência da atuação do grupo.
Objetivo da ação
O objetivo da 'Operação Shylock' é interromper a atuação da organização criminosa, preservar provas, aprofundar a identificação dos fluxos financeiros e dos beneficiários finais das operações investigadas, evitar a continuidade dos crimes e assegurar a recuperação de ativos obtidos ilicitamente. As medidas que serão implantadas também visam proteger vítimas que ainda possam estar submetidas ao esquema criminoso.
