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A Europa sai da reunião sobre a paz de Trump para Ucrânia

Por Redação
REDAÇÃO

23/04/2025 • 16:51 • Atualizado em 23/04/2025 • 16:51

Moises Rabinovici
Kryvyi Rih, na Ucrânia, após ataques russos

Kryvyi Rih, na Ucrânia, após ataques russos

Kryvyi Rih, na Ucrânia, após ataques russos (Foto: Stringer/Reuters)

Os chanceleres europeus suspenderam as negociações de paz na Ucrânia, ao meio-dia desta quarta-feira, em Londres, sem marcar uma nova reunião. O plano de sete pontos proposto pelos Estados Unidos foi equiparado a um acordo de rendição pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, porque reconhece a Crimeia invadida pelos russos em 2014 como russa, congela as terras conquistadas na invasão russa de 2022, e ainda veta a entrada da Ucrânia na OTAN.

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O presidente Donald Trump reagiu acusando Zelensky de “prejudicar” um acordo que estava “muito próximo” de ser concluído. Ele e seu vice, JD Vance, disseram que foi a última oferta dos EUA para a paz na Ucrânia. O chanceler polonês, Radek Sikorski, enviou uma mensagem ao presidente Vladimir Putin, perguntando: “Você não tem terras suficientes?”. O governo francês explicou que qualquer acordo de paz deve incluir “a integridade territorial da Ucrânia”.

A suspensão repentina da reunião de Londres foi provocada pela ausência do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e do enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, às discussões de terça-feira à noite. Ficou no ar a promessa de que uma nova reunião será remarcada para... os próximos meses.

Witkoff deve se encontrar pela quarta vez com Putin no final desta semana, em Moscou. O plano de paz rejeitado pela Ucrânia reflete as principais exigências russas. A ocupação das terras ucranianas conquistadas na invasão de 2022 ficaria “congelada”, e a de 2014, a Crimeia, passaria formalmente para a Rússia, um total de 18,7% da Ucrânia, de acordo com o grupo de pesquisa DeepState, com vínculos com o exército ucraniano.

Uma fonte do governo ucraniano disse que “a proposta dos EUA diz muito claramente quais são os ganhos tangíveis para a Rússia, mas diz apenas de forma vaga e geral o que a Ucrânia receberia”. Em sua plataforma Truth Social, Trump pergunta: “Se ele (Zelensky) quer a Crimeia, porque não lutou por ela há 11 anos, quando a Rússia a tomou sem disparar nenhum tiro?” E acrescentou que Zelensky “pode ter paz ou lutar mais três anos até perder todo o seu país”.

Donald Trump se gabava de ser capaz de acabar a guerra na Ucrânia em 24 horas. Hoje ele acusou Zelensky de impedir a paz, acrescentando que “ele não precisaria reconhecer formalmente a Crimeia como sendo Rússia (como os EUA se dispõem a fazer), mas precisa aceitar que perdeu território”. Zelensky respondeu, ante o plano de sete pontos: “Não há nada a discutir nele.” E, ao que parece, a discussão vai parar por algum tempo, com os principais líderes da Europa e dos EUA viajando para o funeral do papa Francisco.

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