
Israel
REUTERS/Ronen Zvulun/File Photo
Ao lado do vice-presidente dos EUA, JD Vance, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu assegurou que Israel é independente dos EUA, chamando de “besteiras” os relatos de submissão e cumpridor de ordens da Casa Branca.
Mas, então, o Parlamento aprovou um projeto de soberania total para a Judeia e Samaria, a Cisjordânia, de que ele é um defensor, mas não neste momento. “Querem prejudicar nossas relações com os EUA e as grandes conquistas na campanha em Gaza”, ele reagiu com uma nota oficial de seu partido, o Likud.
O presidente Donald Trump deixou claro, no mês passado, que não vai permitir que Israel anexe a Cisjordânia. O movimento pela anexação em Israel cresceu depois do amplo reconhecimento da Palestina por quase 150 países. Seria algo como uma retaliação.
Por mais independente que o governo israelense se proclame dos Estados Unidos, a aprovação da anexação não passará já na segunda leitura. Mas não foi o único projeto do dia. Outro, também aprovado, por 32 votos a 9, pretende uma soberania limitada à colônia de Maale Adunim, hoje uma grande cidade. A ideia é de anexar a Cisjordânia aos poucos.
O projeto de soberania total se fundamenta na religião: “D-us deu ao povo de Israel a Terra de Israel. O assentamento na Terra de Israel é a redenção e o renascimento nacional, o assentamento é o que faz a Terra de Israel florescer após dois mil anos de exílio”. A proposta partiu dos partidos de extrema-direita da coligação do governo, como Otzma Yehudit (Poder Judaico) e Sionismo Religioso. A rejeição ao projeto anunciado pelo primeiro-ministro Netanyahu foi taxada de “hipocrisia”.
O problema para Netanyahu é confrontar os Estados Unidos e vários outros países com a soberania da Cisjordânia, território conquistado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e que deveria ser trocado por acordos de paz. Até líderes da esquerda votaram a favor, provocando críticas de que estavam tão somente pondo Netanyahu em conflito com Trump.
Outra consequência de uma anexação, seja de 82% da Cisjordânia, seja só de sua maior cidade, Maale Adumin, provocaria o rompimento dos acordos de integração entre Israel e países árabes, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão -- e, no futuro, Arábia Saudita, Síria, talvez o Catar e o Líbano.
Ao lado de Netanyahu, o vice-presidente JD Vance concordou que Israel é um “parceiro”, não um estado-cliente. Ninguém lembrou da ordem de Trump para cessar o bombardeio no Irã, cumprida, e de abrir as portas de Gaza para ajuda humanitária, também cumprida, e a aceitação do plano de 20 pontos, em cumprimento. Vance, Steve Witkoff e Jared Kushner, o trio estadunidense que estava em Israel impedindo a violação do cessar-fogo, volta para Washington nesta quarta-feira. E amanhã chegará o secretário de Estado Marco Rubio.
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