
Gaza
REUTERS/Ramadan Abed
O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, declarou que Israel não vai se retirar jamais de Gaza, que pretende colonizar, renegando o plano de paz do presidente Donald Trump e contradizendo compromissos públicos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Algumas horas depois, o gabinete do ministro Katz distribuiu um comunicado informando que “O governo não tem intenção de estabelecer assentamentos na Faixa de Gaza”, e que os comentários foram feitos “exclusivamente em um contexto de segurança”.
O ex-comandante das Forças de Defesa de Israel (IDF), general Gadi Einsenkot, agora líder do partido de oposição Resiliência de Israel, explicou: “Enquanto o governo vota com uma das mãos a favor do plano de Trump, com a outra vende mitos sobre assentamentos isolados na Faixa de Gaza. Ele repreendeu o governo por “continuar a fazer declarações irresponsáveis e vazias que só prejudicam a posição de Israel no mundo”.
A declaração do ministro Katz e seu desmentido rápido ocorreram nesta terça-feira, a alguns dias de uma nova visita do primeiro-ministro Netanyahu ao presidente Trump, desta vez em Mar-a-Lago, na Flórida, marcada, em princípio, para a semana que vem. Um coro da extrema-direita, puxado pelo ministro da Finança Bezalel Smotrich, vocalizou uma grande expectativa: quer que a viagem produza o sinal verde para a anexação da Cisjordânia, a Judeia e Samaria bíblicas.
Hoje com 130 cidades e mais de meio milhão de israelenses, a colonização da Cisjordânia, das Colinas do Golã e da Faixa de Gaza, capturadas da Jordânia, da Síria e do Egito, começou depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967, sob inspiração do Rabino Tzvi Yehuda Kook, para quem a vitória representou um milagre, a “redenção final”, um dever sagrado para reunificar a Terra de Israel como descrita na Bíblia.
Mas não só: com o tempo, ter uma boa e grande casa nos “territórios ocupados” era mais barato do que em Tel Aviv e Haifa, e ainda incluía incentivos. Os religiosos ortodoxos Haredim (“Tementes a Deus”) são 36% dos colonos. A partir de 1977, com a eleição do primeiro-ministro Menachem Beguin, a colonização explodiu, mesmo sob forte oposição internacional.
O presidente Trump já se colocou contra novas colônias na Cisjordânia, mas legalizou a anexação das Colinas do Golã. O ministro da Defesa Katz falou sobre a presença permanente de Israel em Gaza na cerimônia saudando 1.200 novas casas para os colonos, na cidade de Beit El, que já foi uma pequena colônia. E elogiou o que definiu como uma “soberania na prática”. Ao primeiro-ministro, o ministro Smotrich pediu:
“Esperamos que o senhor retorne de Washington com uma decisão sobre a soberania de jure. Não está longe o dia em que, se Deus quiser, este prédio (para a administração civil da Cisjordânia, sendo inaugurado) também fornecerá serviços governamentais aos assentamentos na área de Gaza. Estou instruindo o diretor de habitação governamental do Ministério das Finanças a encontrar um prédio para a abertura de uma filial no Sul, para que os moradores dos assentamentos renovados em Gaza não precisem vir até aqui”.
Nota:
O governo israelense usa o substantivo masculino “assentamento” e a imprensa, em geral, o substantivo feminino “colonização”. Assentar e colonizar têm um sentido comum de ocupar um território, mas num caso, segundo o dicionário, seria uma ocupação rural de terra improdutiva e desabitada, e noutro, uma ocupação agressiva, em terra já habitada, hoje com conotação negativa.
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