
Faixa de Gaza
Dawoud Abu Alkas/Reuters
Israel e o Hamas vão trocar 1.950 prisioneiros por 20 reféns vivos e 25 mortos neste fim de semana, graças ao acordo anunciado pelo presidente Donald Trump e finalizado sob intensa pressão de negociadores egípcios, catarianos, turcos e estadunidenses, em tempo para o Prêmio Nobel da Paz a ser anunciado nesta sexta-feira.
Não é segredo a ambição de Trump em ser o Nobel da Paz de 2025. Ele o afirmou várias vezes durante o ano. Com o acordo, suas chances aumentam, embora em cima da hora, quando a comissão que outorga o prêmio, na Noruega, já pode ter escolhido o vencedor. Tanto o Egito como Israel já o convidaram para visitar o Oriente Médio nos próximos dias. E ele disse que virá.
O anúncio do acordo pecou por falta de detalhes importantes. Haverá uma retirada das tropas israelenses de Gaza, mas até onde? Para a fronteira? Mantendo uma zona-tampão larga de quantos quilômetros? Entre os 250 prisioneiros condenados à prisão perpétua estará o líder palestino popular Marwan Barghouti, que está preso há 23 anos? Ele era um dos três que Israel resistia em libertar sempre que houve trocas como a de agora.
"Este é um GRANDE Dia para o mundo árabe e muçulmano, para Israel, para todas as nações vizinhas e para os Estados Unidos da América, e agradecemos aos mediadores do Qatar, do Egito e da Turquia, que trabalharam conosco para fazer com que este evento histórico e sem precedentes acontecesse", escreveu Trump na sua plataforma Truth Social.
Uma explicação maior, geral, foi dada pelo porta-voz da chancelaria catariana, Majed al-Ansari: “este acordo vai levar ao fim da guerra, a libertação dos reféns e prisioneiros palestinos, e a entrada de ajuda humanitária a Gaza”. Mas ele deixou os detalhes para “mais tarde”. Eram quase 2 horas da madrugada no Oriente Médio, 19h em Washington e 20h no Brasil.
Embora não tenha sido anunciado, os bombardeios israelenses devem parar, mesmo os chamados “defensivos”, que continuaram durante a semana de negociações. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (IDF), general Eyal Zamir, ordenou às tropas a preparar uma “forte defesa e a estar pronta para qualquer cenário”.
Desde pouco antes do anúncio do acordo, já se observava, em Israel, os primeiros preparativos para receber os 20 reféns que passaram dois anos em cativeiro nos túneis de Gaza. Há nisso uma coincidência bíblica: esta é a semana em que os judeus celebram a travessia de 40 anos pelo deserto, libertados da escravidão no Egito por Moisés.
Cabanas e tendas, como as do êxodo israelita, são construídas dentro de casa, e nelas dormem crianças e as famílias. Os reféns vêm de Gaza, que é do Egito. A religião, para muitos, se somará à emoção compartilhada com familiares que se manifestaram todas as semanas por dois anos.
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