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Economia

Acordo Mercosul-UE: entenda os impactos no comércio e na indústria

O tratado conecta Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai aos 27 países da União Europeia

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01/05/2026 09:33 • Atualizado há 176 dias

Acordo Mercosul-UE: entenda os impactos no comércio e na indústria

Após 27 anos de negociação, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor nesta sexta-feira, 1º de maio. O tratado conecta Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai (além da Bolívia, que está em processo de adesão como membro definitivo) aos 27 países da União Europeia. Isso significa um mercado de 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto de mais de 22 trilhões de dólares.

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Nesta primeira etapa, passa a valer a parte comercial do acordo, que prevê redução de tarifas, facilitação de comércio e novas regras para compras governamentais. A partir de agora, a União Europeia elimina tarifas de importação para mais de 5 mil produtos — cerca de metade do total. Ao longo da implementação, a expectativa é que mais de 90% do comércio entre os blocos seja liberalizado.

Para o setor industrial, o impacto é imediato. Máquinas e equipamentos, por exemplo, passam a ter quase total acesso ao mercado europeu sem tarifas. O mesmo vale para centenas de produtos dos setores de alimentos e metalurgia.

O acordo foi dividido em dois formatos para facilitar a implementação. Um deles ainda precisa ser aprovado por todos os países europeus, o que é considerado difícil no curto prazo, já que precisa ser ratificado no Parlamento Europeu, nos parlamentos de cada um dos 27 países do bloco e, ainda, aguardar a decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia, onde países contrários ao acordo contestaram a medida judicialmente. Por isso, neste momento, entra em vigor um modelo temporário que garante a aplicação das medidas comerciais.

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Mesmo assim, há resistências fortes. Agricultores europeus — especialmente os da França — têm protestado contra o acordo, temendo a concorrência de produtos sul-americanos e, principalmente, a força do agronegócio brasileiro. Na França, a agricultura é predominantemente familiar e subsidiada pelo governo.

Para reduzir a pressão, a União Europeia estabeleceu limites de importação e mecanismos de proteção para setores mais sensíveis, como carnes, aves e arroz. De qualquer forma, o acordo é visto por empresários como um passo importante para ampliar mercados, aumentar a competitividade e dar mais previsibilidade ao comércio entre as duas regiões. Em uma nova geopolítica, marcada por tensões e guerras comerciais, o Brasil acerta ao buscar ampliar seus acordos.

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