
Morre Tiago Pitthan, o 'Bom Sujeito'
@bomsujeito/Reprodução
O advogado e turismólogo Tiago Martins Pitthan, conhecido nas redes sociais como Bom Sujeito, morreu aos 49 anos na noite de domingo (5), em Campo Grande (MS), onde estava internado no Hospital Cassems após complicações de um câncer.
A morte foi comunicada na manhã desta segunda-feira (6) em uma publicação nos perfis de Pitthan. Na nota, familiares e amigos informaram o falecimento do advogado e destacaram que ele "combateu o bom combate", além de avisar que o velório ocorre no Memorial Park, na capital sul-mato-grossense.
Poucas horas antes da confirmação da morte, Pitthan compartilhou uma foto no leito do hospital. Na mensagem, ele afirmou estar em paz e fez uma reflexão sobre a própria trajetória ao escrever: "Sem filtro. Sem produção. Pediram para chamar minha família. Mas a vida... A vida vale a pena! Estou bem, em paz, feliz".
Em seguida, ele publicou um vídeo reafirmando a mensagem de gratidão e de balanço sobre sua história. Na gravação, Pitthan diz que "valeu a pena" e conclui: "Tudo valeu a pena. Tive uma vida boa. Eu venci".
Últimas mensagens nas redes sociais
Nas publicações finais, Pitthan reforçou a ideia de que, apesar do diagnóstico terminal, considerava que a existência tinha valido a pena. Para ele, como apontou em diferentes textos, o enfrentamento da doença se transformou em oportunidade para valorizar afetos e registrar em vídeo e fotos a despedida de quem o acompanhou.
Segundo relatos compartilhados por seguidores, o advogado usou o perfil Bom Sujeito para dividir o dia a dia do tratamento e para defender que momentos de carinho e reconhecimento precisam ser vividos em tempo real, e não apenas lembrados depois da morte.
Evento de despedida em vida
Diagnosticado com câncer de estômago com metástases no intestino, no peritônio e com comprometimento dos pulmões, Pitthan decidiu transformar o avanço da doença em uma celebração da vida. Em maio, após relatar nas redes que o estado de saúde tinha piorado e que enfrentava dias difíceis, ele começou a organizar um encontro que chamou de "velório em vida".
A celebração ocorreu em 30 de maio, em Campo Grande, e reuniu familiares, amigos e pessoas que acompanhavam sua história pelos conteúdos publicados na internet. A programação, planejada pelo próprio advogado, incluiu apresentações de bossa nova, samba e rock, rodas de conversa e até um flash mob.
A iniciativa repercutiu nacionalmente ao transformar um momento geralmente associado ao luto em uma homenagem à trajetória de Pitthan. O público se reuniu para celebrar a vida do advogado enquanto ele ainda podia participar do encontro, ouvir relatos, receber abraços e registrar a despedida.
Origem da ideia e mensagem deixada
A proposta de organizar o próprio velório em vida surgiu após a morte do pai de Pitthan. Durante a cerimônia de despedida, ele relatou ter percebido que as homenagens feitas no local não podiam ser ouvidas por quem era o centro da atenção, o que o levou a questionar a forma como se lida com a finitude.
Mais tarde, ao comentar o episódio, Pitthan contou que saiu daquele velório com a sensação de que as demonstrações de afeto deveriam ocorrer enquanto as pessoas ainda estão vivas. Na visão dele, a presença física permite que histórias, agradecimentos e declarações sejam compartilhadas diretamente com quem recebe o cuidado.
Ao explicar a iniciativa nas redes sociais, o advogado afirmou que queria ouvir em vida as histórias e o carinho que normalmente são reservados para depois da morte. Em vez de uma despedida marcada apenas pela tristeza, ele defendeu que o encontro fosse uma celebração da própria trajetória, cercado por familiares, amigos e expressões de afeto que seguiram ecoando após sua morte.
Com informações do Estadão Conteúdo.
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