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Alemanha rejeita pedido de Trump para atuar no Irã: "Não é nossa guerra"

Governo diz que crise no Estreito de Ormuz não é assunto da Otan

Deutsche Welle
DEUTSCHE WELLE

16/03/2026 • 12:19 • Atualizado em 16/03/2026 • 13:00

O governo da Alemanha rejeitou explicitamente se envolver no conflito no Irã, após o presidente dos EUA, Donald Trump, pedir ajuda de países aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para reabrir o estratégico Estreito de Ormuz.

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"Não é nossa guerra, nós não a começamos", disse nesta segunda-feira (16/03), o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius. Segundo o ministro, o conflito, que foi iniciado no final de fevereiro pelos EUA e Israel, não tem relação com a aliança militar da Otan.

"Queremos soluções diplomáticas e um fim rápido, mas mais navios de guerra na região certamente não contribuirão para isso", disse Pistorius. "O que é que (...) Donald Trump espera que um punhado de fragatas europeias façam no Estreito de Ormuz que a poderosa Marinha dos EUA não consiga fazer?", questionou o ministro.

Mais cedo, um porta-voz do governo do chanceler federal alemão Friedrich Merz também fez declarações nesse sentido. "Esta guerra não tem nada a ver com a Otan. Não é uma guerra da Otan”, afirmou o porta-voz Stefan Kornelius. "A Otan é uma aliança defensiva, uma aliança para a defesa do seu território", acrescentou.

Pedido de Trump

No sábado (14/03), Trump pediu assistência de países aliados e até da rival China para reabrir o Estreito de Ormuz, rota crucial do mercado global de energia, por onde passa 20% do petróleo produzido no mundo. O estreito, que fica diante da costa do Irã, foi declarado fechado pelo regime de Teerã após o início da ofensiva dos EUA e Israel e desde então vários navios foram atacados na região.

No domingo, foi a vez de Trump usar um tom mais ameaçador para conseguir assistência, afirmando que seus aliados da Otan enfrentariam um "futuro muito sombrio" caso se recusassem a ajudar a garantir a segurança do Estreito de Ormuz.

Especialistas têm apontado que os EUA parecem ter subestimado a capacidade de retaliação do Irã e a disposição do regime de lançar um bloqueio sobre Ormuz como forma de contrapressão. Desde o início do bloqueio, o preço do petróleo tem aumentado e diversos países do Golfo Pérsico se veem impedidos de exportar combustível.

Recusa de aliados

O apelo de Trump para que aliados enviem navios também já foi descartado pela França e Itália.

Falando ainda sobre a decisão do governo alemão de não participar, o porta-voz Kornelius disse que não haverá assistência enquanto o conflito persistir. "Enquanto essa guerra continuar, não haverá envolvimento, nem mesmo na opção de manter o Estreito de Ormuz aberto por meios militares", disse Kornelius.

"Gostaria também de lembrar que os EUA e Israel não nos consultaram antes da guerra, e que Washington declarou explicitamente, no início da guerra, que a assistência europeia não era necessária nem desejada", acrescentou o porta-voz Kornelius.

Na eclosão do conflito, há pouco mais de duas semanas, o governo Merz se mostrou inicialmente mais aberto à ofensiva conjunta dos EUA e Israel, em contraste com outros países europeus, como a França ou a Espanha. Merz chegou a afirmar no início de março que ele e Trump "estavam na mesma página" sobre a necessidade de uma mudança de regime no Irã.

No entanto, à medida que o conflito começou a dar sinais de que pode se arrastar e os riscos econômicos começaram a ficar mais claros, Merz recuou e passou a se mostrar mais crítico, afirmando a líderes aliados que Trump não parece ter uma estratégia definida sobre como acabar com o conflito.

jps/cn (ots)