
O bloco conservador de Friedrich Merz, CDU/CSU, vencedor das eleições gerais do último domingo na Alemanha, e os social-democratas do chanceler federal alemão, Olaf Scholz (SPD), iniciaram nesta terça-feira (25/02) as primeiras conversas formar uma possível "grande coalizão".
Os partidos começaram a apresentar as primeiras exigências para fechar um acordo capaz de dar maioria a Merz no Bundestag e confirmar sua nomeação a chanceler federal. Combinados, SPD e CDU/CSU poderiam contar com 328 dos 630 assentoss no parlamento alemão (Bundestag), um pouco mais do que o necessário para assegurar maioria.
As negociações acontecem após uma ferrenha campanha eleitoral, com acusações mútuas entre as duas siglas.
"Parto do princípio de que podemos chegar a um bom acordo de coalizão com o Partido Social-Democrata", disse Merz em uma coletiva de imprensa antes de uma reunião do novo grupo parlamentar conjunto da União Democrata Cristã (CDU) e da União Social Cristã da Baviera (CSU). Antes, Merz teve um encontro de uma hora e meia na com Scholz, cujo partido ficou em terceiro lugar no último pleito, atrás da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD).
Merz afirmou que tanto ele quanto Markus Söder, líder da CSU, assumirão a liderança da equipe negociadora e reiterou que seu objetivo é formar um governo antes da Páscoa.
Memorando de Merz
Antes da reunião com o chanceler, Merz já havia enviado um memorando pedindo que, enquanto permanecer no comando do governo, Scholz não promova funcionários alinhados politicamente e que, em assuntos internacionais, adote uma postura de reserva e remeta as decisões ao próximo Executivo.
O líder conservador afirmou que ainda é cedo para discutir o conteúdo das conversas, mas ressaltou que prioriza três temas de máxima urgência: política externa e de segurança, migração e economia, que, segundo ele, se encontra em uma situação "crítica".
No entanto, estas políticas estiveram justamente no centro dos embates entre Scholz e Merz durante a campanha eleitoral, diferenciando os planos de governo dos dois candidatos.
Todos esses temas exigem decisões "rápidas" e "inevitáveis" e um governo capaz de agir, afirmou Merz, acrescentando que, em sua opinião, o SPD – que ainda não definiu quem assumirá a negociação, após a derrota de Scholz – já reconhece que são necessárias "mudanças fundamentais" na política migratória.
Ele também confirmou que as negociações incluem a possibilidade de abrir um orçamento extraordinário para financiar o aumento dos gastos com defesa na Alemanha sem incorrer tecnicamente no aumento da dívida.
gq (dw, efe)
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