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Algo terá que ser feito com o México, diz Trump após ataque à Venezuela

Presidente dos EUA afirma que cartéis comandam território mexicano e diz que "alguma coisa terá que ser feita" para conter o narcotráfico

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

03/01/2026 • 15:22 • Atualizado em 03/01/2026 • 15:27

Trump Casa Branca

Trump Casa Branca

Doug Mills/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (3) que medidas futuras podem ser adotadas em relação ao México devido ao poder dos cartéis de drogas no país. A afirmação ocorreu logo após o republicano ordenar um ataque à Venezuela que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro, sob a justificativa de combate ao narcotráfico.

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Em entrevista à emissora Fox News, Trump foi questionado se a ofensiva militar em solo venezuelano serviria como um alerta à presidente mexicana, Claudia Sheinbaum. Embora tenha dito que a operação "não era para ser" uma mensagem direta, o presidente americano reforçou que a situação no país vizinho é crítica.

Críticas à governabilidade de Sheinbaum

Durante a entrevista, o presidente americano poupou a figura pessoal de Claudia Sheinbaum, chamando-a de "boa mulher", mas questionou sua autoridade real sobre o território mexicano. Para o republicano, a mandatária não detém o controle do país devido à influência do crime organizado.

"Os cartéis estão comandando o México; ela não está comandando o México. Ela tem muito medo dos cartéis", afirmou Trump. O presidente ainda revelou ter oferecido ajuda militar para eliminar os grupos criminosos, proposta que, segundo ele, foi recusada pela presidente mexicana.

Fronteira sul e crise das drogas

Trump justificou a necessidade de uma postura mais rígida citando os impactos da crise dos narcóticos nos Estados Unidos. Ele avalia que a inação mexicana reflete diretamente na segurança pública americana, especialmente pela entrada de substâncias ilícitas através da fronteira entre as duas nações.

"Temos que fazer alguma coisa, porque perdemos 300 mil pessoas para as drogas e elas entram principalmente pela fronteira sul", ressaltou o mandatário. Apesar do tom de ameaça, o presidente não detalhou se planeja autorizar uma operação militar em território mexicano semelhante à ocorrida na Venezuela.

México condena uso da força

A presidente Claudia Sheinbaum evitou responder diretamente às críticas de Trump sobre sua capacidade de governar, mas manifestou forte repúdio à intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. A líder mexicana utilizou as redes sociais para reforçar princípios diplomáticos internacionais.

Conforme aponta Sheinbaum, a Carta das Nações Unidas estabelece que os países devem se abster do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado. Na visão da presidente, a ação americana é incompatível com os propósitos da organização.

Contextos políticos distintos

Apesar de Trump unir os dois países sob a bandeira do combate ao narcotráfico, México e Venezuela apresentam cenários políticos opostos. Enquanto a Venezuela estava sob o regime autoritário de Maduro há quase 13 anos, marcado por denúncias de fraudes eleitorais, o México vive uma estabilidade democrática institucional.

Sheinbaum foi eleita democraticamente em 2024 para um mandato de seis anos. Ele ressalta, no entanto, que o enfrentamento ao crime organizado e à violência política permanece como o desafio central de sua gestão, ponto que agora se torna o foco da pressão externa vinda da Casa Branca.