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André Mendonça será relator de queixa-crime de Caiado contra Boulos no STF

Ex-governador acusa ministro da Secretaria-Geral de calúnia, difamação e injúria após vídeo sobre contratos em Goiás

Da redação
DA REDAÇÃO

17/07/2026 • 12:23 • Atualizado em 17/07/2026 • 12:23

Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás

Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás

Divulgação/Governo de Goiás

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça será o relator da queixa-crime apresentada pelo ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, contra o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, por suposta prática de calúnia, difamação e injúria.

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A ação foi autuada na terça-feira (14) e distribuída por sorteio a Mendonça. A definição da relatoria não representa julgamento do mérito das acusações, e o processo segue em análise na Corte.

Na peça, Caiado afirma que um vídeo publicado por Boulos nas redes sociais em 12 de maio atribuiu a ele envolvimento em um escândalo relacionado ao crime organizado em Goiás. O conteúdo relaciona contratos do governo estadual com a Fundação Pró-Cerrado a uma investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro.

No vídeo, o ministro cita reportagem do portal Revista Fórum e menciona apuração da Polícia Civil sobre a Fundação Pró-Cerrado. No início de maio, policiais civis de São Paulo e de Goiás prenderam em Goiânia o empresário Adair Meira, suspeito de usar empresas ligadas a ele para lavar recursos para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em trecho da gravação, Boulos afirma que "Ronaldo Caiado e os bolsonaristas adoram dizer que são linha-dura no combate ao crime organizado" e que o "dono de uma fundação foi preso por lavar dinheiro para o crime". Ele aponta que a mesma entidade mantém contrato de R$ 141 milhões com o governo estadual.

Queixa aponta “narrativa falsa”

Na queixa-crime, o ex-governador sustenta que a investigação mencionada por Boulos tem como alvo atividades privadas de integrantes da Fundação Pró-Cerrado, sem relação com os contratos firmados pela entidade com o Estado de Goiás. A defesa afirma que não há qualquer imputação formal a Caiado no inquérito.

Os advogados acusam o ministro de ter construído uma "narrativa falsa" para sugerir que o então governador estaria envolvido ou teria sido conivente com o suposto esquema de lavagem de dinheiro. A petição afirma que o objetivo seria atingir a honra e a reputação de Caiado às vésperas do processo eleitoral.

A defesa ressalta ainda que as declarações de Boulos ganham maior projeção pelo fato de ele ocupar a Secretaria-Geral da Presidência, pasta responsável pela interlocução do governo federal com movimentos sociais e diferentes setores da sociedade.

Boulos reage e diz que Caiado “briga com os fatos”

Em resposta, Boulos afirmou em publicação no X (antigo Twitter) que o pré-candidato "briga com os fatos". Segundo ele, o vídeo reproduziu informações divulgadas por veículos de imprensa e pela Polícia Civil de São Paulo, responsável pela operação.

Na visão de Boulos, se as declarações configurarem crime contra a honra, Caiado também teria de acionar judicialmente os órgãos de investigação e os meios de comunicação que noticiaram o caso. O pedido de queixa-crime ainda aguarda análise do STF.