Você já se pegou pesquisando no Google “como dormir rápido”? Se a resposta for sim, saiba que não está sozinho. Dados do Google Trends, obtidos pela Sala Digital, parceria entre a Band e o Google, mostram que essa dúvida cresce entre os brasileiros há mais de uma década.
Desde 2011, a busca por “como dormir rápido” supera termos como “como dormir bem” ou “como dormir melhor”, revelando um comportamento que preocupa: a ansiedade em relação ao próprio sono. O pico desse interesse foi registrado em 2023, quando a busca atingiu seu maior patamar. Desde então, os números caíram, mas seguem elevados.

Esse fenômeno tem explicação. Médicos apontam que a pressão por ter um sono “perfeito” pode gerar o efeito oposto: mais ansiedade, que acaba impedindo o corpo de relaxar e adormecer. Não à toa, “como dormir com ansiedade” está entre as 10 perguntas mais feitas sobre sono nos últimos cinco anos.
O problema é tão sério que, segundo a Associação Brasileira do Sono, cerca de 70 milhões de brasileiros - quase metade da população - têm dificuldades para dormir. E as consequências vão muito além do cansaço.
Em entrevista ao Jornal da Band, o otorrinolaringologista George Pinheiro, do Laboratório do Sono, alerta: “a privação de sono pode alterar a memória, a concentração e o humor, causando irritabilidade. Isso gera problemas nos relacionamentos, no trabalho, na escola, porque até a empatia pode se modificar quando a gente não dorme bem”.
Os riscos das soluções rápidas para dormir
Nessa busca por alívio imediato, cresce também o interesse por suplementos, especialmente a melatonina. As buscas pelo termo dispararam nos últimos anos, atingindo o auge em 2025, segundo os dados da Sala Digital.
Embora a melatonina possa ser uma aliada em alguns casos, especialistas fazem um alerta: o uso indiscriminado pode gerar efeitos colaterais, como sonolência excessiva durante o dia, além de não resolver a causa do problema.
Afinal, como dormir melhor e reduzir a ansiedade?
O recado dos especialistas é claro: não basta dormir rápido, é preciso dormir bem, e isso começa na construção de hábitos saudáveis.
Em entrevista ao Jornal da Band, o neurologista Lucio Huebra recomenda “ter horários preferenciais para dormir e acordar é sempre bom, e respeitar esses horários, inclusive nos fins de semana. Celular, computador ou televisão são grandes inimigos do sono por conta da emissão de luz azul, que simula a luz do sol e faz o cérebro entender, falsamente, que ainda é dia”. Ele também reforça que deitar sem sono pode gerar mais ansiedade. “O ideal é ir para a cama quando já sentir uma certa pressão pelo sono”, completa.
Criar uma rotina noturna mais tranquila, reduzir estímulos e investir em momentos de relaxamento pode ser a chave para transformar o sono (e a saúde) de forma duradoura.
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