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Anvisa aprova lenacapavir, medicamento para prevenção do HIV

O uso é indicado para pessoas a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos

Da redação
DA REDAÇÃO

13/01/2026 • 11:15 • Atualizado em 13/01/2026 • 11:21

Injeção

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Reprodução/Freepik

Resumo

Aprovação do lenacapavir pela Anvisa estabelece nova alternativa de profilaxia pré-exposição (PrEP) para prevenção do HIV, ampliando as opções de tratamento com medicamento inovador aprovado para pessoas a partir de 12 anos e reconhecido internacionalmente por sua eficácia, especialmente na forma injetável semestral.

Indicação do lenacapavir para grupos diversos, incluindo adolescentes, mulheres, homens cisgênero e pessoas trans, destaca potencial de adesão devido à aplicação semestral, mas custo anual elevado e necessidade de definição de preço e eventual incorporação ao SUS representam desafios para o acesso amplo.

Perfil de segurança favorável do medicamento apresenta eventos adversos leves a moderados, risco de resistência em casos específicos e necessidade de aplicação por profissional de saúde, sendo a PrEP parte de estratégia mais ampla de prevenção ao HIV, que inclui testagem, uso de preservativos e acompanhamento regular de pessoas em risco.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento lenacapavir como nova alternativa de profilaxia pré-exposição (PrEP) para reduzir o risco de infecção pelo HIV. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (12) no Diário Oficial da União.

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Produzido pela farmacêutica Gilead e comercializado com o nome Sunlenca, o lenacapavir integra uma classe considerada inovadora de antirretrovirais. O uso é indicado para pessoas a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que apresentem resultado negativo para HIV antes do início do tratamento.

Em julho do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o lenacapavir como opção adicional de PrEP e, em dezembro, recomendou a ampliação do acesso ao medicamento.

Disponível nas formas injetável e oral, o fármaco atua em diferentes etapas do ciclo de replicação do HIV, o que explica seu potencial preventivo. Ensaios clínicos apontaram boa eficácia do lenacapavir como PrEP em diversos grupos, incluindo adolescentes, mulheres, homens cisgênero e pessoas trans. Um dos principais diferenciais é a aplicação semestral da versão injetável, que tende a favorecer a adesão ao tratamento.

Preço e disponibilidade

O custo elevado pode ser um dos principais entraves ao acesso, segundo aponta Klinger Soares Faíco Filho, professor de Clínica Médica e Medicina Laboratorial da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em artigo publicado no The Conversation.

De acordo com estudo publicado na revista The Lancet, o tratamento anual pode ultrapassar US$ 28 mil por paciente, o equivalente a cerca de R$ 150,6 mil na cotação atual.

A Anvisa informou que o medicamento ainda passará pela definição de preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A eventual incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e de aprovação do Ministério da Saúde.

Riscos e efeitos adversos

Segundo a Anvisa, o perfil de segurança do lenacapavir é considerado favorável, com predominância de eventos adversos leves a moderados. Na forma injetável, podem ocorrer reações locais como dor, inchaço, vermelhidão, coceira, endurecimento da pele e formação de nódulos no local da aplicação.

A agência também alerta para o risco de desenvolvimento de resistência ao medicamento. Isso pode ocorrer, por exemplo, se a pessoa iniciar o uso durante uma infecção aguda ou não diagnosticada pelo HIV-1, ou se contrair o vírus durante o tratamento e houver atraso no diagnóstico ou no início da terapia adequada.

Como funciona o uso

A versão injetável deve ser aplicada por um profissional de saúde, por via subcutânea no abdômen, a cada seis meses. Já os comprimidos são administrados por via oral. O esquema terapêutico deve ser definido pelo médico responsável.

O que é PrEP

A profilaxia pré-exposição consiste no uso preventivo de medicamentos antirretrovirais por pessoas com maior risco de infecção pelo HIV. Atualmente, o SUS oferece a PrEP oral composta por tenofovir disoproxil e emtricitabina, de uso diário.

A PrEP faz parte da estratégia de “prevenção combinada”, que inclui ainda testagem regular, profilaxia pós-exposição (PEP), acompanhamento de gestantes soropositivas, redução de danos para usuários de drogas, diagnóstico e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis (IST), uso de preservativos e tratamento antirretroviral.

O HIV é o vírus causador da Aids e compromete o sistema imunológico, aumentando a suscetibilidade a infecções, cânceres e outras doenças. O HIV-1 é o subtipo mais comum e virulento. A transmissão ocorre principalmente por relações sexuais sem proteção, compartilhamento de objetos perfurocortantes contaminados e da mãe para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação.

*Com informações do Estadão Conteúdo.