A Procuradoria-Geral da República (PGR) finaliza um parecer que deve formalizar a rejeição da proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, segundo apurou reportagem da Band.
A decisão, que deve ser entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) até a próxima quarta-feira, alinha-se ao entendimento da Polícia Federal (PF), que já havia se posicionado de forma contrária ao acordo.
Investigadores que acompanham as tratativas afirmam que, desde o início das conversas, em março deste ano, Vorcaro adotou uma postura defensiva, focando em justificar as suspeitas criminais atribuídas a ele em vez de apresentar provas concretas.
Segundo fontes da investigação, faltou ao banqueiro o oferecimento de nomes, datas e documentos inéditos que pudessem expandir o alcance da Operação Compliance Zero.
A avaliação do Ministério Público é de que a eficácia de uma delação de Vorcaro tornou-se obsoleta para o andamento das apurações. Prova disso, segundo a PGR, é que a PF deflagrou cinco novas fases da Operação Compliance Zero no mesmo período em que as negociações de delação ocorriam, provando que o avanço das diligências independe do auxílio do investigado.
Além disso, o valor oferecido para ressarcimento aos cofres públicos —cerca de R$ 60 bilhões— é considerado insuficiente pela Procuradoria, que exige um montante maior.
Prisão e incertezas
Com a iminente rejeição do acordo, o destino de Vorcaro ficará nas mãos do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. O magistrado já sinalizou aos advogados do banqueiro que a prisão domiciliar está descartada.
A Polícia Federal já solicitou a retirada de Vorcaro da carceragem da Superintendência em Brasília. As opções mais prováveis são o retorno à Penitenciária Federal, no complexo da Papuda, ou a transferência para a ala especial do presídio, conhecida como "Papudinha".
Contudo, uma transferência para a ala especial gera um desafio logístico para o Judiciário: a necessidade de isolamento. O local já abriga o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, com quem Vorcaro não pode manter contato.
O "fator BRB"
O encerramento das negociações com Vorcaro pode, por outro lado, acelerar o desfecho de outro caso relevante. Paulo Henrique Costa aguarda, há mais de um mês, o sinal verde para formalizar um acordo de delação premiada.
A expectativa de investigadores é que o depoimento de Costa seja robusto, com potencial para atingir figuras influentes da política do Distrito Federal. Caso a PGR encerre as tratativas com o dono do Banco Master, o cenário torna-se mais favorável para a conclusão do acordo com o ex-executivo do BRB.
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