A Polícia Federal rejeitou oficialmente a nova proposta de delação premiada do empresário Daniel Vorcaro. O órgão já tinha sinalizado que poderia rejeitar o documento, mesmo trazendo informações sobre o senador Ciro Nogueira (Progressistas) e os repasses do ex-dono do Banco Master para o filme “Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
Segundo apuração da Band, a PF comunicou a defesa de Vorcaro na quarta-feira (10) e o Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta quinta (11). Investigadores seguiram a mesma linha de rejeição da primeira proposta, afirmaram que não tinham interesse por ela não apresentar informações úteis, já que o conteúdo entregue já era de conhecimento das investigações.
Além das informações sobre crimes financeiros, Vorcaro também se propôs a devolver R$ 60 bilhões ao longo de dez anos, vamos bem superior aos R$ 40 bilhões propostos em sua primeira delação, que também foi rejeitada pela Polícia Federal.
Apesar da rejeição da PF, a proposta segue sendo analisada pela Procurador Geral da República (PGR), que ainda não se manifestou. A reportagem da Band apurou que a maior dificuldade de Vorcaro tem sido a apresentação de provas. Ele segue preso na Superintendência da Polícia Federal, mas pode ser transferido para o presídio da Papuda após a decisão sobre sua delação.
Em maio, a Polícia Federal já tinha decidido não endossar a proposta de acordo de colaboração premiada que vinha discutindo com o banqueiro e com seus advogados. Na ocasião, os agentes julgaram inconsistentes as informações fornecidas por Vorcaro, as confrontando com as provas e indícios reunidos desde 2024.
Prisões de Vorcaro
Vorcaro foi preso preventivamente durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, em 18 de novembro do ano passado, e passou dez dias detido até ser libertado por uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região.
Ele voltou a ser detido em 4 de março deste ano, quando a PF deflagrou a terceira fase da operação. Em 19 de março, como parte das tratativas para o fechamento de um acordo, Vorcaro passou a ocupar uma sala especial da Superintendência da PF em Brasília. Ele é acusado de crimes como fraude financeira, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
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