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Astronautas da Artemis II sobre voo à Lua: Terra é "bote salva-vidas"

Tripulação destaca parceria, apoio das famílias e sensação de ver a o planeta flutuando no vazio do espaço

Estadão Conteúdo com redação
ESTADÃO CONTEÚDO COM REDAÇÃO

11/04/2026 • 21:32 • Atualizado em 11/04/2026 • 21:42

Os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, integrantes da missão Artemis II, falaram neste sábado (11) sobre a viagem em direção à Lua, em entrevista coletiva transmitida ao vivo pelo canal da Nasa no YouTube, na qual agradeceram às famílias, à agência espacial e relataram impressões do voo.

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Artemis II é a missão tripulada do programa que pretende consolidar o retorno de humanos à Lua. Na coletiva, os quatro integrantes apareceram juntos no palco e relembraram a experiência compartilhada no espaço e o período de preparação iniciado em 2023.

Reid Wiseman foi o primeiro a discursar e destacou o laço criado durante a missão. “Nós estamos unidos para sempre. Ninguém aqui jamais vai saber pelo que nós quatro passamos juntos. E foi a coisa mais especial que já aconteceu na minha vida”, afirmou o comandante.

Ao comentar a convivência no espaço, Wiseman reforçou a ideia de que a experiência marcou definitivamente a equipe e que o entendimento mútuo entre os quatro foi decisivo para atravessar os desafios do voo.

União e liderança na Nasa

Em seguida, Victor Glover centrou sua fala na atuação da agência espacial. “Gostaria de agradecer à nossa liderança. E ela mudou desde que chegamos aqui, em abril de 2023, mas a qualidade, não. E temos sorte de estar nessa agência neste momento, e juntos”, declarou o piloto.

Na visão de Glover, a continuidade do trabalho, mesmo com mudanças na chefia, mostrou a consistência da Nasa. Ele avaliou que esse ambiente de estabilidade permitiu ao grupo se concentrar na missão e confiar plenamente na estrutura em solo.

Os quatro também fizeram questão de citar o apoio das famílias e de centenas de funcionários envolvidos com os preparativos, ressaltando que o voo representou o esforço de uma grande equipe.

A Terra como ‘bote salva-vidas’

Christina Koch focou sua fala na perspectiva de observar o planeta a partir do espaço profundo. “O que me impressionou não foi necessariamente só a Terra, foi toda a escuridão em torno dela. A Terra era só um bote salva-vidas navegando sem ser incomodada no universo”, descreveu.

Para Christina, essa imagem reforçou a sensação de vulnerabilidade do planeta em meio ao vazio. Ela apontou que a visão ampliada do espaço ajuda a dimensionar a importância de preservar o ambiente em que a humanidade vive.

Tripulação se vê como ‘espelho’

Último a falar na rodada inicial, Jeremy Hansen procurou relacionar a missão ao público que acompanhou a transmissão. “Quando vocês olham para nós aqui, vocês não estão olhando para nós. Nós somos um espelho refletindo vocês. E se você gosta do que vê, então olhe um pouco mais de perto. Isso é você”, declarou.

Conforme ressaltou Hansen, a presença dos quatro no palco simboliza o trabalho de inúmeras pessoas, e o sucesso do voo representa também a confiança de quem acompanha o programa espacial.

Bom humor após retorno da missão

Apesar do tom emotivo, a coletiva também teve momentos de descontração. Wiseman comentou, em tom bem-humorado, que pretendia matar a saudade de uma rede de fast food em breve, depois do período de restrições da missão.

Hansen também brincou ao dizer que fazia tempo que “não ficava tão longe” de Wiseman, em referência ao fato de estarem em lados opostos do palco. O colega se levantou e foi sentar ao lado dele, arrancando risos da plateia e encerrando a abertura da entrevista com clima leve.