
USP
Divulgação/ USP
A Polícia Civil recuperou, na tarde de segunda-feira (5), um dos computadores roubados de um laboratório da Universidade de São Paulo (USP) durante a virada de ano. O equipamento foi localizado na região do Rio Pequeno, zona oeste da capital paulista, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP).
O crime ocorreu no Instituto de Engenharia e Ambiente (IEE-USP), no campus do Butantã. O caso é investigado pelo 93º Distrito Policial (Jaguaré), que solicitou perícia no computador recuperado para tentar identificar os autores e verificar a integridade de arquivos estratégicos.
Ladrões usaram senha e invadiram laboratório
A ação criminosa foi marcada pelo planejamento detalhado. Os quatro assaltantes, que estavam encapuzados para evitar a identificação pelas câmeras de segurança, entraram na unidade às 23h57 do dia 31 de dezembro. Eles possuíam uma senha personalizada para abrir as portas, o que levanta a suspeita de infiltração.
Durante o assalto, os criminosos aproveitaram o recesso acadêmico e um blecaute que atingiu a região durante a tarde. "Eles sabiam onde estava aquilo que queriam", afirmou o vice-diretor do IEE, professor Ildo Sauer. Após renderem os vigilantes, os ladrões os obrigaram a carregar o material em uma van antes de amordaçá-los e fugirem no início da madrugada.
Prejuízo científico de décadas
O maior dano causado pelo roubo não é financeiro, mas científico. Além de fios e cordoalhas de cobre especial, os criminosos levaram dois computadores que continham softwares e projetos desenvolvidos há mais de dez anos. De acordo com o professor Sauer, o custo de reposição do material especial de experimentação supera em muito o valor de revenda como sucata.
"Para nós, o custo de reposição será muito maior. Não dá para crer que eles estavam atrás apenas dos fios de cobre. Se forem vender pelo peso, talvez arrecadem de R$ 20 mil a R$ 40 mil", avalia o vice-diretor. Para a instituição, a preocupação central é a perda dos dados e softwares que são pilares de pesquisas energéticas conduzidas por décadas.
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil agora concentra esforços na identificação dos criminosos e na busca pelo segundo computador e pelo material de cobre levado. A perícia técnica no equipamento recuperado no Rio Pequeno será fundamental para entender se houve acesso aos dados sigilosos ou se os arquivos foram apagados pelos assaltantes.
Até o momento, ninguém foi preso. A segurança no campus da Cidade Universitária e o controle de acesso por senhas eletrônicas devem passar por revisão após a evidência de que os criminosos detinham informações internas privilegiadas.
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