
Moradores se reúnem sobre os escombros de um posto policial danificado após um atentado com carro-bomba em Bannu, na província de Khyber Pakhtunkhwa, no Paquistão
Ehsan Khattak-10.mai.2026/Reuters
Ao menos 14 policiais morreram após um ataque com carro-bomba contra um posto de segurança no noroeste do Paquistão, seguido de uma emboscada contra agentes enviados para reforçar a operação, informaram autoridades locais neste domingo (10), segundo as agências Reuters e Associated Press.
O atentado ocorreu na noite deste sábado (9) em Bannu, distrito da província de Khyber Pakhtunkhwa, região próxima à fronteira com o Afeganistão e marcada pelo avanço de grupos militantes nos últimos anos.
Segundo Sajjad Khan, alto funcionário da polícia local, um homem-bomba lançou um veículo carregado de explosivos contra o posto policial antes de homens armados invadirem o local e abrirem fogo. Parte da estrutura desabou após a explosão, soterrando agentes. Equipes de resgate passaram horas removendo escombros com máquinas pesadas para localizar vítimas. Três policiais ficaram feridos. As informações são da agência de notícias Associated Press.
Imagens divulgadas após o ataque mostram o prédio destruído, com veículos carbonizados e destroços espalhados pela área. De acordo com a agência Reuters, ambulâncias e equipes de emergência foram enviadas ao local, enquanto hospitais públicos da região entraram em estado de alerta máximo para atender os sobreviventes.
Um policial ouvido pela Reuters sob condição de anonimato afirmou que os militantes atacaram inicialmente com o carro carregado de explosivos e, em seguida, dispararam contra os agentes que ainda estavam vivos dentro do posto. Quando reforços foram enviados, os atiradores montaram uma emboscada contra as equipes de apoio.
Fontes policiais também disseram à Reuters que drones teriam sido usados durante a ofensiva, o que indica um nível maior de planejamento e sofisticação do ataque.
A autoria foi reivindicada por um grupo chamado Ittehad-ul-Mujahideen Pakistan, organização recém-formada que afirma reunir dissidentes do Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), conhecido como Talibã paquistanês. Segundo a AP, autoridades do Paquistão suspeitam que o novo grupo funcione apenas como fachada para o próprio TTP.
O ataque ocorre em meio à escalada da violência militante no Paquistão desde o retorno do Talibã ao poder no Afeganistão, em 2021. Islamabad acusa o governo afegão de abrigar integrantes do TTP em território afegão, alegação negada por Cabul.
As tensões entre os dois países aumentaram nos últimos meses. Em fevereiro, confrontos na fronteira provocaram a pior onda de violência entre os vizinhos em anos, incluindo bombardeios paquistaneses dentro do Afeganistão contra supostas bases militantes. Apesar de negociações mediadas pela China em abril, confrontos esporádicos continuam ocorrendo na região, segundo a AP.
O jornal The Straits Times destacou que o atentado reacende o temor de uma nova escalada militar na fronteira entre Paquistão e Afeganistão, área historicamente marcada pela atuação de grupos extremistas e por disputas entre forças dos dois países.
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