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Ataque contra o regime dos Aiatolás gera "efeito dominó" global; entenda

Mísseis, drones e aviões continuam cruzando os céus do Oriente Médio depois do ataque coordenado entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã

Da redação
DA REDAÇÃO

02/03/2026 • 08:59 • Atualizado em 02/03/2026 • 08:59

Sonia Blota
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Ataque coordenado dos Estados Unidos e Israel contra o Irã

Ataque coordenado dos Estados Unidos e Israel contra o Irã

REUTERS/Sharafat Ali

Resumo

Conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã escalou após ataque coordenado que matou o líder supremo Ali Khamenei, resultando em intensos bombardeios, centenas de mortos e ataques de retaliação em todo o Oriente Médio, incluindo alvos civis e militares em vários países.

Hezbollah, com apoio iraniano, lançou mísseis contra Israel após o ataque, provocando resposta israelense no Líbano, com dezenas de mortos; líderes europeus, como França, Alemanha e Reino Unido, manifestaram apoio a ações defensivas contra o Irã, enquanto países do Golfo enfrentam impactos diretos e riscos à estabilidade econômica e social.

Objetivos americanos no ataque ao Irã permanecem incertos, com dúvidas sobre a intenção de derrubar o regime, destruir programas nucleares ou enfraquecer capacidade militar; Rússia e China limitam-se a declarações, enquanto a ONU mostra pouca influência, e persiste o temor de guerra civil iraniana e consequências globais imprevisíveis.

Sirenes continuam tocando em todo o Oriente Médio: mísseis, drones e aviões cruzando os céus e o risco de o conflito se escalar ainda mais desde o ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel contra o Irã — ataque que matou o líder supremo, Ali Khamenei.

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Nesta madrugada, Israel bombardeou o Líbano, fazendo, pelo menos, 30 mortos e 150 feridos. O Exército israelense afirma ter retaliado mísseis e drones lançados pelo Hezbollah contra seu território. A milícia xiita, com forte influência iraniana, prometeu vingar a morte de Khamenei. O primeiro-ministro libanês classificou a ação do Hezbollah como irresponsável.

O Oriente Médio está pegando fogo desde o último sábado de manhã quando Israel e Estados Unidos, em uma ação dupla, sem avisar aliados nem as Nações Unidas, atacaram o Irã e atingiram em cheio, com aviões e mísseis, o centro do poder.

No primeiro bombardeio, diversos líderes iranianos morreram, inclusive o líder supremo, Ali Khamenei — que somente horas depois teve sua morte confirmada.

Os bombardeios seguiram por todo o Irã e, nessa primeira etapa, a intenção foi derrubar todo o controle do regime dos aiatolás; o que inclui todas as lideranças, a Guarda Revolucionária, o Poder Judiciário, agências de informação e, também, centrais de polícia.

“Efeito dominó”

O objetivo desta primeira onda também foi destruir o arsenal iraniano de mísseis balísticos, drones, lançadores e a indústria bélica como um todo.

Quase que simultaneamente — no chamado "efeito dominó" — o Irã respondeu ao ataque lançando mísseis contra todo o território israelense. Mas isso não ficou só por aí… atacou bases americanas nos países do Golfo — o que o Irã alega — e, no lançamento de drones e mísseis, houve explosões em prédios residenciais, shoppings, aeroportos e hotéis.

Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Kuwait e Arábia Saudita — que, neste momento, tem uma refinaria em chamas. Jordânia e Iraque também sofreram as consequências.

Países do Golfo, considerados um local seguro para comércio, turismo e negócios, agora têm esse perfil em xeque. Caso de Dubai, Abu Dhabi e Doha.

A Cruz Vermelha informa que são mais de 500 mortos no Irã, mas o número deve ser muito maior, já que os bombardeios são intensos e as informações, complicadas por lá. Mísseis iranianos também fizeram mortos no território israelense. A Europa, que inicialmente manteve uma posição cuidadosa, afirmando que tudo deve ser de acordo com o direito internacional, agora mostra uma posição mais ativa, principalmente em defesa de seus países aliados no Golfo.

França, Alemanha e Reino Unido declararam estar prontos para ataques chamados de “defensivos” contra o Irã — ou seja, minar a capacidade bélica de Teerã — mas ainda não falam em atingir a cadeia de comando do regime. União Europeia e Reino Unido têm enormes interesses econômicos na região e acordos militares com países do Golfo. Só a França tem 400 mil cidadãos morando no Oriente Médio. Neste domingo, o porta-aviões francês Charles de Gaulle e seu grupo de ataque estão a caminho do Mediterrâneo Oriental.

Bem… em seu último discurso, o presidente americano, Donald Trump, estimou que este conflito possa durar entre quatro e cinco semanas e vingar os 3 soldados mortos. Vamos ouvir: (Trump) Só que os Estados Unidos não deixam clara uma posição sobre o objetivo final do ataque ao Irã.

É acabar com o programa nuclear? É o programa de mísseis? Derrubar o regime ou tudo isso junto?

Em relação à derrubada do regime, sem tropas em terra fica difícil. Por outro lado, uma aposta de que os próprios iranianos contra o regime — que se manifestam nas ruas há meses — se levantariam para uma tomada de poder é muito arriscada.

Se isso for para a frente, o país pode cair numa guerra civil com consequências imprevisíveis, não só para o Irã, mas para o mundo. Os Estados Unidos não obtiveram êxito nas mudanças de regime na região; vejam o que aconteceu com a Síria, Líbia e Iraque. E, neste xadrez chamado mapa-múndi, repare que a Rússia — que já tem sua própria guerra com a Ucrânia — não está podendo ajudar seu aliado, Irã, e fica só nas palavras.

A China, com enorme interesse econômico na região — 90 por cento do petróleo iraniano vai para a China — até o momento também só nas palavras. Até porque precisa se concentrar no seu problema com Taiwan.

E as Nações Unidas? Está mais do que claro que viraram museu da Segunda Guerra. O que está valendo hoje é o unilateralismo e a lei do mais forte.

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