O aumento das temperaturas e da umidade nesta época do ano provoca um alerta das autoridades de saúde: o crescimento no número de ataques de abelhas. Apenas nesta semana, dois casos graves foram registrados na região Sul do país, envolvendo o capotamento de um veículo e a internação de um idoso após receber cerca de mil picadas.
No Rio Grande do Sul, na cidade de Jóia, um enxame repentino cobriu o para-brisa de um carro em movimento. A motorista, que estava acompanhada de outra mulher e uma criança, perdeu o controle da direção e o veículo capotou na rodovia. Apesar do impacto e do susto com os insetos, as vítimas conseguiram abandonar o automóvel e foram encaminhadas ao hospital com ferimentos leves.
Já em Ponta Grossa, no Paraná, um ataque atingiu uma família dentro de casa. Três pessoas, incluindo um bebê, foram alvos de um enxame. A situação mais crítica é a de um homem de 68 anos, que recebeu aproximadamente mil picadas e permanece internado em observação médica.
Estatísticas e prevenção de ataques
Dados do Ministério da Saúde, destacados por João Marcelo, revelam a dimensão do problema no território nacional. No ano passado, o Brasil registrou mais de 30 mil casos de ataques de abelhas, resultando em 93 mortes. O levantamento reforça a necessidade de cautela, uma vez que o comportamento desses insetos pode ser imprevisível em condições climáticas de calor intenso.
Especialistas alertam que a remoção de colmeias em espaços públicos ou residências jamais deve ser feita por pessoas despreparadas. O procedimento exige profissionais capacitados e a utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados. Fatores como perfumes fortes, ruídos excessivos e o uso de roupas escuras são gatilhos que podem atrair e irritar as abelhas.
Em caso de ataque, a recomendação primordial é correr o máximo possível para se afastar do enxame. Autoridades desencorajam o salto em rios ou piscinas, pois as abelhas podem aguardar o retorno da vítima à superfície, além do risco iminente de afogamento. Outra orientação vital é não retirar as roupas durante a fuga.
Segundo o professor de apicultura da UFPR, Tomaz Longhi, tirar a vestimenta expõe ainda mais o corpo aos ferrões e pode resultar no esmagamento de mais insetos, o que aumenta a agressividade do grupo.
Atendimento médico e primeiros socorros
Para quem sofreu picadas, o atendimento médico deve ser buscado com rapidez, especialmente em casos de múltiplas ferroadas ou histórico de alergias. Como medida imediata para aliviar a dor e reduzir a entrada de veneno, recomenda-se a remoção do ferrão. O procedimento correto consiste em raspar a região da picada com uma lâmina ou objeto similar, evitando apertar o local, o que poderia injetar ainda mais toxinas no organismo.
A vigilância deve ser constante em áreas rurais e urbanas, mantendo a atenção a frestas em telhados e árvores que possam abrigar colônias. Em situações de risco, o Corpo de Bombeiros ou órgãos ambientais locais devem ser acionados para a retirada segura dos animais.
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