O estado de São Paulo registra um aumento progressivo e preocupante no número de pedestres atropelados por motociclistas. Em 2025, as ocorrências ultrapassaram a marca de 200 casos, consolidando uma tendência de alta observada desde 2022. O desrespeito às leis de trânsito, como o avanço do sinal vermelho e o excesso de velocidade, é apontado como o principal fator para a gravidade dos acidentes.
Em um dos casos mais graves registrados recentemente, um ajudante geral de 49 anos foi atingido violentamente em São Bernardo do Campo. O motociclista responsável pelo atropelamento não possuía habilitação e fugiu do local sem prestar socorro. A vítima sofreu fratura no crânio e permanece internada em coma, com quadro de inchaço cerebral. O condutor apresentou-se à delegacia dois dias após o ocorrido, foi ouvido e liberado para responder ao processo em liberdade.
Flagrantes de imprudência e medo nas ruas
A rotina de infrações é visível nos cruzamentos da capital paulista. Em apenas dez minutos de observação na Zona Sul de São Paulo, a reportagem flagrou quatro irregularidades graves: dois motociclistas avançaram o sinal vermelho e outros dois realizaram conversões proibidas. Relatos de pedestres confirmam o clima de insegurança; há registros de pessoas que sofreram ferimentos mesmo atravessando com o sinal favorável ao pedestre.
Dados estatísticos mostram a escalada da violência viária no estado:
- 2022: 145 casos
- 2023: 158 casos
- 2024: 189 casos
- 2025: Mais de 200 casos
Apesar de a velocidade máxima na maioria das vias urbanas de São Paulo ser de 50 km/h, levantamentos indicam que mais da metade dos motociclistas trafega acima do limite permitido.
A necessidade de agentes e fiscalização presencial
Para a especialista em segurança viária Mariana Novaski, o combate a esse cenário exige uma mudança na estratégia de policiamento. Embora a fiscalização eletrônica por radares seja importante para controlar a velocidade, ela é insuficiente para coibir outras infrações comuns que colocam vidas em risco.
Segundo Mariana Novaski, infrações como trafegar na contramão ou circular sobre as calçadas não são captadas por radares. Por isso, a especialista defende o aumento do número de agentes de trânsito nas ruas para realizar a fiscalização presencial e imediata. A presença física da autoridade é vista como o único meio eficaz de identificar e punir condutas que burlam os sistemas automatizados e aterrorizam quem tenta atravessar as ruas das cidades paulistas.
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