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As 5 escritoras negras mais buscadas no Brasil (e que você precisa ler)

Levantamento mostra quem são as autoras negras que lideram o interesse de buscas e por que suas obras seguem essenciais para entender o Brasil

Alessandra Petraglia
ALESSANDRA PETRAGLIA

19/11/2025 • 17:34 • Atualizado em 19/11/2025 • 17:34

5 escritoras negras que você precisa ler

5 escritoras negras que você precisa ler

Divulgação

Na Semana da Consciência Negra, a Sala Digital fez um levantamento das cinco escritoras negras que mais despertam interesse de busca no Google no Brasil. São peças fundamentais para entender a literatura, a identidade, a política e as questões raciais que moldam a nossa história.

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1. Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus é aquela que mais desperta interesse dos brasileiros no Google. Da favela do Canindé ao reconhecimento internacional, ela transformou seus diários em documentos essenciais para entender a desigualdade, a miséria e as condições de vida nas periferias do país.

Seu livro Quarto de Despejo (1960) virou um fenômeno editorial, foi traduzido para 13 idiomas e é estudado em universidades ao redor do mundo. Na obra, Carolina relata o cotidiano na favela enquanto trabalhava como catadora de papel para sobreviver. Uma narrativa dura, direta e histórica.

2. Maria Firmina dos Reis

Na segunda posição aparece Maria Firmina dos Reis, considerada uma das primeiras vozes negras da literatura brasileira e uma referência do movimento abolicionista no século XIX.

Seu romance Úrsula (1859) é apontado como o primeiro livro abolicionista escrito por uma mulher negra no Brasil (e possivelmente em toda a América Latina). Em linguagem marcada por detalhes e crítica social, a obra reúne uma história de amor, reflexões sobre a escravidão, misoginia e os padrões violentos que organizavam a sociedade da época.

3. Lélia Gonzalez

Lélia Gonzalez vem logo na sequência entre as escritoras negras mais buscadas no país. Antropóloga, filósofa e uma das maiores intelectuais brasileiras do século XX, ela é referência nos estudos de raça, gênero e cultura.

Criou conceitos como “amefricanidade” e “pretoguês”, muito usados hoje em debates sobre identidade e feminismo negro. Seu livro Por um Feminismo Afro-Latino-Americano (2020) reúne ensaios fundamentais, nos quais defende um feminismo interseccional que reconhece as opressões de raça e classe junto com as de gênero.

4. Conceição Evaristo

Conceição Evaristo também aparece na lista. Sua escrita une ficção e memória para narrar experiências de mulheres negras. Um estilo que ela chama de “escrevivência”.

O livro Olhos d’Água é um dos mais estudados em escolas, universidades e clubes de leitura. A obra, que foi leitura obrigatória no vestibular da Unicamp, reúne 15 contos sobre pessoas negras marginalizadas pela sociedade e silenciadas pelo racismo. As histórias tratam de desigualdade social, violência e resistência.

5. Djamila Ribeiro

Fechando a lista, Djamila Ribeiro é uma das principais vozes do movimento negro na atualidade. Filósofa, professora, escritora e ativista, ela tem forte presença nos debates sobre feminismo e antirracismo.

Seus livros se tornaram referência em escolas e universidades para explicar conceitos como lugar de fala, racismo estrutural e desigualdades de gênero. Pequeno Manual Antirracista (2019) é um de seus títulos mais populares. O livro explica, de forma simples, como o racismo opera na sociedade e propõe ações para combatê-lo no dia a dia (todos deveriam ler!)

Para além da lista

A pesquisa destaca apenas cinco nomes, mas a literatura negra é vasta e diversa. Outras autoras que merece destaque são Angela Davis, Bell Hooks, Chimamanda Ngozi Adichie, Elisa Lucinda, Maya Angelou, entre tantas outras que precisam ganhar visibilidade!

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