
Avião de pequeno porte cai no Pantanal
Divulgação/Polícia Civil do MS
A Polícia Civil do Mato Grosso do Sul divulgou, nesta quinta-feira (25), novos detalhes sobre o acidente aéreo que deixou quatro mortos na zona rural de Aquidauana (MS), no Pantanal. O caso aconteceu na noite da última terça-feira (23).
As investigações preliminares apontam que o piloto tentou pousar a aeronave e, em seguida, arremeteu. Diferente das primeiras informações, não havia animais na pista no momento da manobra, embora testemunhas relatem que eles estivessem na área instantes antes.
Outro ponto em análise é o horário em que o voo foi realizado. O acidente ocorreu às 18h20, cerca de 40 minutos após o limite para uso da pista, que só pode operar em condições visuais diurnas. O pôr do sol havia sido registrado às 17h39.
De acordo com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado, a aeronave já tinha histórico de irregularidades. Em 2019, foi apreendida pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado do MS por realizar, de forma clandestina, o transporte remunerado de passageiros e apresentar manutenção inadequada. Posteriormente, foi liberada por decisão judicial e só voltou a operar neste ano.
O que diz a regulamentação
No Brasil, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) estabelece regras específicas para operações de voo entre os períodos diurno e noturno.
Tanto a aeronave quanto a pista onde ocorreu o acidente tinham restrição para operações sob regras de voo visual diurno (VFR diurno). Nesse tipo de operação, pousos e decolagens só podem acontecer entre o nascer e o pôr do sol, quando há luz natural suficiente para garantir a segurança.
Sem iluminação artificial na pista e sem equipamentos na aeronave que permitam voos por instrumentos, o piloto depende exclusivamente de referências visuais externas. Após o anoitecer, a realização dessas manobras é proibida pela regulamentação da ANAC devido ao alto risco de acidentes.
Polícia apura condição de voo
A aeronave envolvida no acidente é do modelo Cessna 175, um monomotor leve e de asa fixa fabricado em 1958. Com capacidade para o piloto e mais três passageiros, o avião de prefixo PT-BAN estava com a situação de aeronavegabilidade em dia.
No entanto, a Polícia Civil investiga a condição do voo. Segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o monomotor não tinha autorização para operar em táxi aéreo, isto é, quando aeronaves particulares são usadas para o transporte remunerado de passageiros sem autorização oficial. A atividade é ilegal e não passa pelas exigências de manutenção e fiscalização previstas para empresas regulares e pode aumentar os riscos de segurança nos voos. Os investigadores apuram se o proprietário foi pago para realizar o voo.
Para ajudar no combate ao táxi aéreo clandestino, a ANAC disponibiliza uma ferramenta para que os passageiros de aeronaves façam consultas antes de contratarem empresas aéreas. O “Voe Seguro” é uma ferramenta disponível para computadores e celulares. Com ele, passageiros podem confirmar se uma empresa está autorizada e se a aeronave está em condições adequadas de operação, garantindo uma viagem segura e evitando serviços clandestinos.
A Polícia Civil permanece no local do acidente. O caso é apurado pelo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA).
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