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Bolsonaro perde força política com Lula em alta e iminência de prisão

O episódio de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo pressionando EUA e STF também agravou o desgaste

Da redação
DA REDAÇÃO

02/11/2025 • 17:23 • Atualizado em 02/11/2025 • 17:30

Bolsonaro

Bolsonaro

Amanda Perobelli/Reuters

O ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta um desgaste crescente no cenário político brasileiro, pressionado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pelo impasse no Congresso e pela recuperação de popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas. A combinação desses fatores coloca em xeque sua força política para 2026.

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No âmbito jurídico, Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão, recorreu de uma das últimas decisões antes do julgamento final pelo relator Alexandre de Moraes e demais ministros da Primeira Turma do STF. Espera-se que a decisão marcada para 7 de novembro não traga alterações significativas, já que os argumentos apresentados reiteram teses já rejeitadas pela Corte.

No Congresso, o enfraquecimento do ex-presidente se reflete no PL da Dosimetria, que visa reduzir penas de envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A proposta, sob relatoria de Paulinho da Força (Solidariedade-SP), segue travada na Câmara, parcialmente devido à falta de apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aliado de Lula. Líderes da oposição divergem sobre a viabilidade da iniciativa: enquanto Mário Heringer (PDT-MG) afirma que o projeto "perdeu gás", Zucco (PL-RS) sustenta que ele permanece na pauta.

Segundo o cientista político Leandro Consentino (Insper), a perda de tração da proposta decorre de fatores como a megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio, que voltou a colocar a segurança pública no centro do debate, e desgastes legislativos anteriores, como a rejeição da PEC da Blindagem no Senado.

O episódio envolvendo Eduardo Bolsonaro e o comentarista Paulo Figueiredo, que tentaram pressionar autoridades norte-americanas e o STF, também contribuiu para o desgaste. A ofensiva gerou sanções e obstrução diplomática entre os governos Lula e Trump, e resultou em prisão domiciliar a Bolsonaro e denúncia contra Eduardo por coação no curso do processo. Após meses de negociações, o diálogo entre Brasília e Washington foi retomado, culminando no encontro entre Lula e Trump na Malásia.

Para o cientista político Antonio Lavareda, a reação do governo federal à crise internacional fortaleceu Lula e contribuiu para sua recuperação eleitoral. O avanço do presidente, segundo ele, reduz o espaço para Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) se consolidar como alternativa competitiva à direita, ampliando o isolamento político de Bolsonaro.

"Bolsonaro ainda mantém algum capital político, mas ele vem se erodindo. Sua influência sobre a direita diminuiu, e a real dimensão do desgaste só poderá ser medida em 2026", avalia Consentino.

*Com informações do Estadão Conteúdo.