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PF: Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões a Michelle para tentar escapar de bloqueio de bens

Ex-presidente foi indiciado pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito

Da redação
DA REDAÇÃO

20/08/2025 • 20:30 • Atualizado em 20/08/2025 • 20:30

Relatório divulgação pela Polícia Federal em inquérito que indicia o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, aponta que Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões à mulher Michelle Bolsonaro com a intenção de escapar de um bloqueio de bens.

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“Foi possível identificar que Jair Bolsonaro transferiu no dia 04.06.2025, um dia antes de prestar depoimento na Polícia Federal no âmbito do INQ 4.995 (05.06.2025), R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) à esposa Michelle de Paula Bolsonaro. Trata-se de igual quantia repassada a Eduardo Nantes Bolsonaro”, diz o relatório.

O documento também aponta que Bolsonaro omitiu a informação de que teria repasso ao filho Eduardo R$ 2 milhões.

“Vale ressaltar que Jair Bolsonaro omitiu informação à Polícia Federal em seu depoimento no INQ 4.995/DF de que teria repassado outros valores a Eduardo Bolsonaro, além dos R$ 2.000.000,00 (dois milhões) revelados. Também não houve qualquer justificativa para transferência de recursos no mesmo valor para Michelle Bolsonaro apenas um dia antes do interrogatório”.

Bolsonaro e Eduardo indiciados

A Polícia Federal (PF) informou nesta quarta-feira (20) que indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o filho dele, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

A decisão foi tomada após a PF concluir as investigações sobre a atuação de Eduardo junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo Tribunal Federal.

PF encontrou minuta no celular de Bolsonaro com pedido de asilo a Milei na Argentina

A Polícia Federal encontrou um arquivo no celular do ex-presidente Jair Bolsonaro com uma minuta de pedido de asilo político em regime de urgência ao presidente da Argentina, Javier Milei.

Segundo a investigação da Polícia Federal, dois meses antes da última edição da minuta, Bolsonaro informou ao ministro Alexandre de Moraes que viajaria para a Argentina entre os dias 7 e 11 de dezembro de 2023.

Bolsonaro também é réu na ação penal da trama golpista no STF

O ex-presidente Bolsonaro também é réu na ação penal da trama golpista no Supremo, cujo julgamente está marcado para 2 de setembro. Serão julgados neste dia os denunciados como integrantes do núcleo 1 na ação penal, apontados como líderes do conluio que, segundo a PF e a PGR, buscava reverter o resultado das eleições de 2022 e culminou nos atentados contra as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Jair Bolsonaro e mais sete aliados estarão no banco dos réus: Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal; Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022; Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;

Nessa ação, eles respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

A exceção é o caso do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, que, atualmente, é deputado federal e foi beneficiado por uma decisão da Câmara dos Deputados que suspendeu do processo os crimes que ocorreram após a sua diplomação. Ramagem continua respondendo pelos crimes de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Os outros três núcleos de réus processados têm ações penais em fase de alegações finais, última etapa antes do julgamento, que deverá ocorrer ainda neste ano.