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Bombardeios em Aleppo intensificam confronto entre Síria e forças curdas

Os ataques ocorrem no terceiro dia consecutivo de confrontos e, segundo balanços preliminares, já provocaram o deslocamento de mais de 30 mil pessoas em apenas dois dias

Da redação
DA REDAÇÃO

08/01/2026 • 12:44 • Atualizado em 08/01/2026 • 12:44

Bombardeios intensos atingiram Aleppo, a segunda maior cidade da Síria, no início da noite desta quarta-feira (8), em meio à escalada dos confrontos entre o exército sírio e forças curdas que atuam no norte do país. Explosões constantes puderam ser ouvidas em diferentes pontos da cidade, iluminando o céu e provocando pânico entre a população civil, especialmente em bairros de maioria curda.

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Os ataques ocorrem no terceiro dia consecutivo de confrontos e, segundo balanços preliminares, já provocaram o deslocamento de mais de 30 mil pessoas em apenas dois dias. Autoridades e organizações locais alertam que esse número deve aumentar significativamente após a nova onda de bombardeios registrada nesta quarta-feira.

Aleppo foi alvo dos ataques por volta das 18h no horário local — um momento considerado de pico, quando muitas pessoas retornavam do trabalho e as ruas ainda estavam movimentadas. Imagens mostram explosões sucessivas e o som de bombas ecoando por áreas densamente povoadas. O exército sírio declarou algumas regiões como zonas militares e afirmou ter aberto corredores humanitários para permitir a saída de civis.

Os bairros de Sheikh Maksoud e Ashrafieh, ambos de maioria curda, estão entre os mais atingidos. De acordo com relatos, moradores deixaram as áreas carregando poucos pertences, enquanto famílias inteiras, incluindo crianças, atravessavam os corredores humanitários em meio a cenas de desespero.

As forças curdas, organizadas principalmente sob a coalizão das Forças Democráticas Sírias (FDS), acusam grupos aliados ao governo sírio de ataques diretos contra áreas residenciais, incluindo o uso de drones. Segundo os curdos, houve mortos e feridos entre civis. O Ministério da Defesa da Síria, por sua vez, afirma que as operações têm como objetivo responder a ameaças à segurança e combater grupos armados na região.

A crise ocorre em um contexto de forte instabilidade política no país após a queda do governo de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024. Os curdos, que representam cerca de 10% da população síria, controlam uma região autônoma no nordeste do país, conhecida como Rojava, rica em petróleo e trigo. Eles foram aliados-chave dos Estados Unidos na luta contra o Estado Islâmico, derrotado na Síria em 2019, e continuam contando com apoio americano — fator que adiciona complexidade geopolítica ao conflito.

Além das tensões com Damasco, as forças curdas também enfrentam ameaças frequentes da Turquia, que realiza ataques aéreos contra posições curdas no norte da Síria. As negociações para integrar as forças curdas ao aparato estatal sírio, previstas em acordos firmados no ano passado, estão paralisadas, aumentando o risco de uma escalada prolongada do conflito.

Enquanto os bombardeios continuam, cresce o temor de uma crise humanitária ainda maior. Organizações internacionais acompanham a situação, e há expectativa por um posicionamento mais claro dos Estados Unidos diante da intensificação dos ataques contra seus aliados curdos. Por ora, Aleppo vive mais uma noite de tensão, com civis presos entre o fogo cruzado e um cenário de incerteza sobre os próximos desdobramentos do conflito.

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