Band Jornalismo

840 milhões de mulheres já sofreram violência física ou sexual, diz OMS

Os dados, que analisaram 168 países entre 2000 e 2023, expõem um quadro de lentidão no progresso e alertam para o alto número de vítimas em todo o mundo

Sonia Blota
SONIA BLOTA

20/11/2025 • 10:53 • Atualizado em 20/11/2025 • 10:53

Sonia Blota
Redes Sociais:
Violência contra a mulher

Violência contra a mulher

Freepik

A violência contra a mulher permanece como uma das crises de direitos humanos mais persistentes e menos enfrentadas do planeta, de acordo com o novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os dados, que analisaram 168 países entre 2000 e 2023, expõem um quadro de lentidão no progresso e alertam para o alto número de vítimas em todo o mundo.

Compartilhar

Quase uma em cada três mulheres no planeta, totalizando cerca de 840 milhões de pessoas, já sofreu violência física ou sexual ao longo da vida. O relatório revela que, somente no último ano, 316 milhões de mulheres — o equivalente a 11% da população feminina com mais de 15 anos — foram agredidas por um parceiro íntimo. O avanço no combate a este tipo de violência é praticamente nulo, com a queda anual na violência doméstica sendo de apenas 0,2% nas últimas duas décadas.

Pela primeira vez, o levantamento da OMS incluiu a violência cometida por agressores que não são parceiros. O resultado aponta que 263 milhões de mulheres já sofreram violência sexual fora de um relacionamento íntimo, o que inclui casos de estupro.

Financiamento encolhe enquanto ameaças aumentam

O relatório da OMS destaca uma contradição perigosa no enfrentamento da violência de gênero: enquanto o volume de ameaças se mantém elevado, o financiamento global para a prevenção encolhe.

Em 2022, apenas 0,2% da ajuda global ao desenvolvimento foi destinada a programas de prevenção de violência contra a mulher. A previsão é de que essa porcentagem caia ainda mais até o ano de 2025.

A violência atinge as mulheres precocemente. No último ano analisado, 12,5 milhões de meninas entre 15 e 19 anos, representando 16% dessa faixa etária, foram vítimas de violência dentro de casa. O levantamento também reforça que a desigualdade socioeconômica e o contexto geográfico pesam, com países pobres e regiões de conflito registrando taxas de violência significativamente superiores à média mundial.

Peso da desigualdade racial no Brasil

No Dia da Consciência Negra, o cenário da violência contra a mulher no Brasil revela uma profunda desigualdade racial, conforme indicam os relatórios do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Os dados apontam que pelo menos 65% das mulheres vítimas de feminicídio no Brasil eram negras.

Tanto no contexto nacional quanto global, a Organização Mundial da Saúde alerta que as estatísticas de violência podem estar subnotificadas. A subnotificação é consequência do estigma e do medo que envolvem o ato de denunciar as agressões.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirma que a violência contra mulheres é uma das injustiças mais antigas e disseminadas da humanidade. Ghebreyesus ressalta que "Nenhuma sociedade pode se considerar justa, segura ou saudável enquanto metade de sua população vive com medo".

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber

Tópicos relacionados