O jornalista e apresentador do Bora Brasil, Rodrigo Alvarez, comentou nesta segunda-feira (7) a declaração conjunta dos países do Brics, que se reúnem no Rio de Janeiro. Para ele, o documento tenta abraçar o mundo, “mas torna-se vaga e irrelevante”.
“A declaração dos Brics é imensa, tenta abraçar todos os problemas do mundo, mas ao ser tão ampla torna-se vaga e irrelevante”, declarou Rodrigo Alvarez.
“Os Brics defendem a tão sonhada solução de dois Estados no conflito entre israelenses e palestinos, mas são incapazes de propor ou fazer alguma coisa concreta para evitar o massacre diário de palestinos em Gaza”, pontuou o jornalista.
Alvarez reforça que o documento manifesta preocupação com as guerras internas do Haiti e do Sudão, mas que não existe uma proposta para ajudar a resolver a situação dos países.
“O Brasil já foi muito relevante no Haiti, quando era o nosso Exército responsável por manter a ordem por lá, inclusive no caso do terremoto de 2010, mas nós abandonamos até mesmo as nossas conquistas”
“Por fim, a irrelevância do documento fica evidente em sua ambição tão dissimulada como inatingível ao dizer que “defende soluções pacíficas e negociadas” para os conflitos do mundo, mas como? Se o documento dos Brics condena os ataques da Ucrânia à população civil da Rússia, mas ignora que a Rússia faz o mesmo e, pior, que foi a Rússia que começou a guerra e é a Rússia que pode acabar com ela. É só Vladimir Putin parar de atacar”, destacou.
Na declaração, o Brics condenou o ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, dizendo que foi contra civis e instalações nucleares pacíficas. “Isso é no mínimo leviano, porque ninguém duvida que os aiatolás buscam a bomba, mas é claramente uma tomada de posição mais uma vez a favor da Rússia, que é aliada do Irã e conta com os aiatolás para manter sua influência e suas bases militares no Oriente Médio”, afirmou Alvarez.
“No fim, o documento defende os interesses da Rússia e de seu presidente Vladimir Putin, que nem se deu ao trabalho de viajar ao Brasil. A dúvida é se Putin não veio por que existe um mandado de prisão internacional contra ele ou se é porque ele considera os Brics vagos e irrelevantes”, finalizou.
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