
Feminicídios
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Brasil registrou 1.571 mulheres vítimas de feminicídio em 2025, ou 4,3 mortes por dia. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira (23), esse é o maior número da série histórica.
O número representa uma alta de 4% em relação aos crimes em 2024, quando foram registrados 1.504 casos.
Em 2025, os registros do Anuário de Segurança Pública mostram que 44,4% das mulheres assassinadas no país foram mortas por razões de gênero – o maior percentual desde quando o feminicídio entrou para o Código Penal brasileiro, em 2015.
Segundo o Anuário, as tentativas de feminicídio também continuaram a crescer em 2025. Foram 4.189 mulheres sobreviventes, um aumento de 5,9% em relação a 2024, ou seja, para cada feminicídio consumado registrado no país em 2025 houve quase três tentativas.
Segundo a publicação, considerando conjuntamente os feminicídios consumados e tentados, as regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram as maiores taxas do país, com 9,8 e 8 vítimas por 100 mil mulheres, respectivamente.
Já as regiões Sudeste (4,2), Nordeste (4,8) e Sul (5,2) registraram menores níveis de violência letal de gênero consumada e tentada.
Queda em mortes violentas
A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que o número de mortes violentas intencionais (MVI) no Brasil caiu de 20,6 casos por 100 mil habitantes em 2024, para 19,1 casos por 100 mil habitantes, em 2025 – uma diminuição de 8,2%.
Esse é o menor patamar registrado desde 2012, quando o índice começou a ser medido. Em números absolutos, foram registradas 40.775 mortes violentas intencionais no ano passado ante 44.127 em 2024.
A categoria MVI inclui homicídio doloso, feminicídio, roubo seguidos de morte (latrocínio), lesão corporal seguida de morte, morte decorrente de intervenções policiais e morte de policiais em serviço e fora do horário de trabalho.
Em 2025, foi a primeira vez que a categoria MVI ficou abaixo de 20 mortes por 100 mil habitantes no país. Em 2012, essa taxa era de 27,7 por 100 mil habitantes.
No último ano, registraram queda os crimes de homicídio doloso (queda de 10%), latrocínio (-17%) e lesão corporal seguida de morte (-15,2%). Os dados mostram, no entanto, que as mortes por intervenção policial e os feminicídios subiram 5,4% e 4%, respectivamente.
Apesar da queda na média nacional das MVI, sete unidades da federação tiveram alta em comparação com os dados do ano anterior: Rio Grande do Norte (19,6%), Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).
De acordo com o relatório, os demais estados apresentaram reduções nas MVI:
- Amazonas (-32,5%);
- Rio Grande do Sul (-25,7%);
- Mato Grosso (-23,2%);
- Piauí (-15,7%);
- Paraná (-15,5%);
- Minas Gerais (-14,2%);
- Goiás (-12,7%);
- Santa Catarina (-11,1%);
- Bahia (-9,6%);
- Pernambuco (-9,3%);
- Espírito Santo (-8,4%);
- Ceará (-7,5%);
- Alagoas (-6,6%);
- Amapá (-5,9%);
- Paraíba (-3,9%);
- São Paulo (-3,9%);
- Pará (-3,7%);
- Sergipe (-3%);
- Tocantins (-2,2%); e
- Maranhão (-2,2%).
‘Band Não se Cala’
O Grupo Bandeirantes lançou nesta semana a campanha "Band Não Se Cala" para reforçar a conscientização e o incentivo às denúncias de agressões, estupros e feminicídios em todo o Brasil. A mobilização pretende engajar a sociedade no acolhimento às vítimas e no enfrentamento da impunidade.
A cada 30 segundos, uma mulher aciona a Polícia Militar para pedir socorro no país. Além disso, as estatísticas indicam o registro de um estupro a cada 6 minutos e um feminicídio a cada 6 horas no Brasil. O quadro expõe uma rotina marcada pelo medo, pela solidão e pelo silêncio das vítimas.
*Com Agência Brasil.
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