A Polícia Civil investiga a existência de verdadeiras concessionárias do crime que operam dentro da rede social TikTok. Perfis na plataforma funcionam como catálogos online para a venda de veículos roubados, incluindo carros de luxo, motocicletas, jet skis e até retroescavadeiras. Nas postagens, os criminosos oferecem os produtos por valores drasticamente inferiores aos praticados pelo mercado legal.
Em um dos casos monitorados, uma retroescavadeira que custa aproximadamente R$ 700 mil no mercado lícito é anunciada por apenas R$ 15 mil. Carros de alto valor são vendidos por pouco mais de R$ 10 mil, enquanto motocicletas são oferecidas a partir de R$ 3,5 mil. Em uma das situações identificadas, o proprietário de uma moto roubada em setembro reconheceu seu veículo 20 dias depois em um anúncio, graças a um adesivo religioso colado no bagageiro.
Operação e dificuldades na investigação
Os criminosos utilizam placas clonadas e chegam a se vangloriar da perícia com que realizam a adulteração de chassis nos veículos. As postagens utilizam hashtags específicas para atrair compradores, e a entrega dos produtos roubados é realizada dentro de territórios controlados pela facção criminosa Comando Vermelho. Segundo as apurações, parte desses veículos é enviada para outros estados.
No Jornal da Band, a reportagem destaca que os investigadores enfrentam obstáculos burocráticos para avançar no caso. A polícia relata dificuldades em obter dados sobre os responsáveis pelas páginas junto ao TikTok, afirmando que a plataforma chega a levar entre 50 e 60 dias para responder às demandas, mesmo as que não dependem de autorização judicial. Esse atraso é apontado pelas autoridades como um fator que prejudica a celeridade das investigações.
Implicações criminais para vendedores e compradores
Os responsáveis pelos perfis podem responder por crimes como receptação, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e organização criminosa. Contudo, o alerta das autoridades também se estende aos consumidores. O delegado responsável pelo caso explica que quem adquire esses bens também comete crime, uma vez que a discrepância de valores e a ausência de documentação legítima tornam evidente a origem ilícita.
Aquele que compra um veículo anunciado nessas condições, caso seja comprovado que o item é produto de crime, responderá pelo crime de receptação. Eduardo Oinegue e Adriana Araujo reforçam que a investigação segue ativa para identificar tanto os operadores das páginas quanto os interessados que interagem com as postagens criminosas.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

