A alta temporada de verão e os feriados prolongados atraem milhares de turistas às praias brasileiras, mas o lazer pode ser interrompido por um fenômeno traiçoeiro: a corrente de retorno.
Conhecida popularmente como "vala" ou "canal", esta correnteza é responsável pela maioria dos afogamentos no litoral. Em Natal, no Rio Grande do Norte, o Corpo de Bombeiros reforçou os alertas sobre como o relevo submarino e a força das marés criam armadilhas invisíveis para os banhistas.
Segundo o Tenente França, o aumento dos ventos e a movimentação das marés intensificam essas correntes. O perigo é potencializado pelo desconhecimento do público, que muitas vezes confunde uma zona de correnteza com um local seguro para o banho.
Como se formam os 'valões'
As correntes de retorno são resultados de um processo natural onde as ondas, ao avançarem em direção à areia, escavam partes do relevo subaquático. Esse movimento cria bancos de areia (partes mais rasas) e vales (buracos profundos).
O risco reside no fato de que a água que chega à praia precisa retornar ao oceano. Ela procura o caminho de menor resistência, que são justamente esses valões escavados.
Por ser uma zona mais profunda e com maior volume de água acumulado, a correnteza ali é perpendicular à praia e extremamente forte, impedindo que o banhista consiga tocar o pé no chão ou retornar caminhando.
O erro comum do banhista
O principal fator de risco é a percepção equivocada de segurança. Muitos banhistas, ao chegarem à praia, procuram trechos onde o mar parece mais calmo, com pouca ou nenhuma quebra de ondas. Na verdade, a ausência de ondas em um determinado ponto pode indicar justamente a presença de um canal profundo por onde a água está retornando com força total.
"O banhista procura o lugar onde não vai encontrar tanta onda, achando que é mais tranquilo, mas ali é o lugar mais fácil para a água retornar", explica o Tenente França. Sem perceber, a pessoa sai do banco de areia e entra na correnteza, sendo rapidamente puxada para longe da costa.
O que fazer ao ser puxado
Caso o banhista perceba que está sendo levado pela corrente, a regra de ouro é manter a calma e jamais nadar contra a correnteza (em direção direta à areia). Tentar vencer a força da água causa exaustão física rápida, o que leva ao afogamento secundário por cansaço.
- Nade para os lados: O objetivo deve ser sair da zona do canal e alcançar os bancos de areia laterais, onde as ondas quebram;
- Nade na diagonal: Ao se deslocar lateralmente, o banhista sairá da influência da corrente de retorno e poderá usar a força das próprias ondas para ser empurrado de volta à parte rasa;
- Peça ajuda: Se não conseguir sair sozinho, flutue e sinalize para os guarda-vidas ou outras pessoas na areia, mas não gaste energia tentando nadar contra a maré.
Prevenção e vigilância
As autoridades reforçam que turistas devem sempre respeitar as bandeiras e alertas do Corpo de Bombeiros. Em locais desconhecidos, a recomendação é conversar com os guarda-vidas antes de entrar na água para identificar onde estão as valas naquele dia, já que o relevo da praia muda constantemente.
A segurança em rios, cachoeiras e no litoral depende diretamente do respeito aos limites da natureza. Como destaca o especialista, "não se vence a natureza", mas é possível navegar por ela com conhecimento e técnica.
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