Bora Brasil

Decisão dos EUA sobre PCC e CV ameaça soberania, diz desembargadora

Ainda segundo a desembargadora, essa mudança de posicionamento abre precedentes complexos no cenário internacional

Da redação
DA REDAÇÃO

29/05/2026 • 11:05 • Atualizado em 30/05/2026 • 12:09

A decisão norte-americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas traz sérios riscos à soberania do Brasil. Em entrevista ao programa Bora Brasil, a desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Dra. Ivana Davi, classificou a medida como “muito gravosa” e alertou que ela abre precedentes para uma possível intervenção dos EUA em território nacional.

Compartilhar

Ainda segundo a desembargadora, essa mudança de posicionamento abre precedentes complexos no cenário internacional.

"Isso abre ou possibilita para os Estados Unidos uma definição de que essas organizações criminosas coloquem em risco a segurança nacional (...) e lhe dá a possibilidade de intervir dentro do nosso país", alertou a magistrada.

Diferença conceitual entre crime organizado e terrorismo

A análise da Dra. Ivana Davi ressalta que a classificação norte-americana comete um erro conceitual ao confundir "atos terroristas" com "organizações terroristas".

Organizações terroristas globais clássicas, como a Al-Qaeda, o Estado Islâmico (ISIS) ou o Hezbollah, são movidas por ideologias políticas, geopolíticas e, principalmente, vieses religiosos. Em contrapartida, as facções brasileiras operam sob uma lógica puramente capitalista de mercado ilícito.

"Nada se parece com o Comando Vermelho e o PCC, que só pensam em uma coisa: em lucro, em dinheiro, em cada vez mais crescerem financeiramente", explicou a desembargadora, exemplificando com o domínio do narcotráfico e a exploração de serviços paralelos nas periferias.

Alcanço e internacionalização do crime

Apesar de não possuírem propósitos políticos ou religiosos, o poder de mobilização geográfica desses grupos é alarmante. A desembargadora destacou a dimensão e a capilaridade dessas duas maiores organizações criminosas.

"[...] estão presentes em 25 estados da nossa federação. E aí já o PCC, segundo investigações do próprio Gakiya e das polícias também, com sinais de presença em pelo menos 28 países fora do nosso", afirmou a Dra. Ivana Davi.

A ramificação transnacional é ainda mais acentuada no caso do PCC. Investigações lideradas por forças policiais brasileiras demonstram que a organização de origem paulista já possui tentáculos e sinais de presença consolidada em pelo menos 28 países fora do Brasil, consolidando-se como uma preocupação global, embora de natureza estritamente comercial e criminosa.