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Estudante de direito presa por assassinatos é tida como serial killer; veja o que diz a lei

A mulher, de 36 anos, que está presa, também é acusada de ter matado diversos cães para testar a eficácia do veneno

Roberta Scherer
ROBERTA SCHERER

17/10/2025 • 08:37 • Atualizado em 17/10/2025 • 08:37

Ana Paula

Ana Paula

Reprodução/Bora Brasil

Presa no começo da semana, uma estudante de direito de São Paulo é investigada por uma sequência de assassinatos. Para a polícia, o comportamento dela se encaixa com as descrições de uma serial killer. Mas como um assassino em série se comporta e o que diz a lei brasileira?

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Foram quatro pessoas mortas em um intervalo de cinco meses. A polícia aponta Ana Paula Veloso Fernandes como autora dos crimes. Ela confessou dois assassinatos, sendo um deles do proprietário da casa onde ela morava. Depois do ataque a facas, a mulher chegou a chamar a polícia fingindo que não sabia de nada.

A outra vítima foi o pai de uma colega da faculdade, envenenado com uma feijoada.

A mulher, de 36 anos, que está presa, também é acusada de ter matado diversos cães para testar a eficácia do veneno. No depoimento à polícia ela mudou versões, fingiu ter recebido ameaças e até um falso bolo envenenado. O delegado do caso a descreveu como uma pessoa fria, que gosta de matar e permanecer na cena dos crimes.

“Efetivamente se comprovou que ela é uma serial killer”, disse.

Criminologistas usam essa expressão para caracterizar quem mata mais de uma pessoa em um intervalo de tempo longo – e não em uma sequência rápida que poderia caracterizar um surto de momento. No caso dos serial killers há um planejamento, um método.

“Serial killer é o nome que se dá a um comportamento criminoso e não um diagnóstico psiquiátrico. Popularmente fica como ah é um psicopata e aí esse serial killer killer, não é isso. Este é criminoso se comporta matando pessoas, com algum padrão entre ela similar, não idêntico, com um intervalo de tempo entre esses crimes que seja relevante. Muitas vezes não é tão nítido qual é a motivação dele, o que complica bastante uma investigação”, explicou a criminalista Ilana Casoy.

O que diz a lei?

Na lei brasileira não há uma punição específica para o crime de assassinatos em série. Ana Paula é acusada de quatro homicídios qualificados, e pode ser condenada a até 120 anos de prisão.

Em 2024, uma mulher foi presa acusada de matar quatro pessoas envenenadas no Rio Grande do Sul. Deise Moura foi encontrada morta na cadeia no início deste ano.

Outro caso de grande repercussão foi o do ‘maníaco do parque’, que estuprou e assassinou diversas mulheres em São Paulo nos anos 90. O motoboy Francisco de Assis Pereira está preso e termina de cumprir pena em 2028.

“Crime raro”

O termo “serial killer” surgiu na unidade de ciência comportamental do FBI, nos Estados Unidos, no final dos anos 70. A criação do grupo, que investiga a mente desses criminosos, foi retratada na série “Mindhunter”. Ao longo das décadas, diversos assassinos em série, reais e ficcionais, foram parar nas telas do cinema.

“É um crime muito raro. Quando eu falo raro, eu quero dizer 1% a 2% da criminalidade geral, mas é um crime que causa uma enorme ruptura social. O estrago é imenso, o número de vítimas, dependendo da qualidade policial, pode ser muito grande, ah, então ele impacta e ele toma um tamanho que na verdade, estatisticamente ele não tem, mas emocionalmente ele tem”, completou a criminalista.

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