Familiares de Maria Deusdete da Mata Ribeiro, de 67 anos, desaparecida desde a última sexta-feira (16) após ser arrastada por uma enxurrada, não têm esperança de encontrar a idosa com vida, mas querem localizar o corpo para que possam se despedir dela.
No sábado, o corpo do marido dela, Marcos da Mata Ribeiro, de 68 anos, que também foi arrastado pela enxurrada na Zona Sul da capital, foi encontrado pelos bombeiros.
“Já caiu a ficha, ninguém tem mais esperança de encontrá-la com vida. A família passou o dia todo no Rio Pinheiros com os Bombeiros e não achou o corpo, mas também não foi encontrado o carro branco”, disse Marcílio, irmão de Marcos da Mata Ribeiro, ao Bora Brasil.
“Chegamos a conclusão que esse corpo possa estar dentro do carro. Então, a ideia é que os bombeiros foquem em achar o automóvel”, acrescentou. “Pela lógica, quando ela abre a porta do veículo e o carro cai junto com ela, teoricamente, é uma suposição, o corpo voltou para dentro do carro, faz sentido”.
Ao Bora Brasil, Marcílio elogiou o trabalho do Corpo de Bombeiros, mas criticou a estrutura da corporação. Segundo ele, um motor usado pela equipe de resgate foi emprestado por uma empresa de seguros, que estava dando suporte às buscas.
“O estado de São Paulo é muito rico, a estrutura do Corpo de Bombeiros senti que é muito frágil, tem o pessoal humano, os profissionais, mas eles não têm estrutura e equipamentos”, destacou o irmão da vítima.
“Sempre juntos”
Ricardo, sobrinho de Maria Deusdete da Mata Ribeiro, disse ao Bora Brasil que os dois eram unidos em tudo, estavam sempre juntos e era um casal maravilhoso.
“Eles eram unidos em tudo, estavam sempre juntos, era um casal maravilhoso. Morei na casa deles durante um tempo, me ensinaram tudo quando cheguei em São Paulo. Devo muito a eles. Se eu sou quem eu sou hoje, é por causa deles. É dolorido, é muito triste”, desabafou Ricardo.
Chuva na sexta-feira
O veículo do casal foi arrastado pela correnteza para um córrego por volta das 18 horas. As buscam foram iniciadas ainda nesta sexta, mas foram suspensas por volta das 20h30.
O temporal que atingiu São Paulo provocou transbordamento de rios, enchentes e deixou pessoas ilhadas em várias vias da cidade.
Os maiores acumulados de chuva naquele dia no estado de São Paulo, coletados pela Defesa Civil, foram registrados em:
- Arujá: 37mm
- Atibaia: 26mm
- Barueri: 34mm
- Biritiba-Mirim: 32mm
- Cotia: 36mm
- Diadema: 28mm
- Embu-Guaçu: 47mm
- Ferraz de Vasconcelos: 63mm
- Franco da Rocha: 34mm
- Francisco Morato: 29mm
- Guararema: 41mm
- Guarulhos: 37mm
- Ipeúna: 24mm
- Itaquaquecetuba: 37mm
- Itapecerica da Serra: 56mm
- Itapevi: 37mm
- Jundiaí: 44mm
- Mauá: 69mm
- Nazaré Paulista: 35mm
- Piedade: 25mm
- Piracaia: 31mm
- Poá: 31mm
- Ribeirão Pires: 65mm
- Ribeirão Preto: 29mm
- Salesópolis: 49mm
- Santa Bárbara d’Oeste: 25mm
- Santa Branca: 81mm
- Santo André: 64mm
- Santo Antônio do Pinhal: 33mm
- São Bernardo do Campo: 27mm
- São Caetano do Sul: 29mm
- São José dos Campos: 63mm
- São Lourenço da Serra: 41mm
- São Paulo: 58mm
- Suzano: 28mm
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