A Justiça da Bahia condenou, na noite desta terça-feira (14), os primeiros envolvidos no assassinato de Maria Bernadete Pacífico, a Mãe Bernadete, ocorrido em agosto de 2023. O julgamento, realizado em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, resultou em penas que somam quase 70 anos de prisão para dois dos acusados pelo crime.
O Tribunal do Júri considerou Arielson da Conceição Santos culpado pela execução da líder quilombola, fixando sua pena em 40 anos, nove meses e 22 dias de prisão. Já Marílio dos Santos, apontado como o mandante do homicídio, foi condenado a 29 anos e nove meses. Marílio permanece foragido, mas foi julgado à revelia com representação de sua defesa técnica. Ambos devem cumprir as penas em regime inicialmente fechado.
O júri popular teve início na última segunda-feira (13) e se estendeu por dois dias, encerrando-se por volta das 21h de ontem com a leitura da sentença. Durante o processo, foram apresentadas as provas do assassinato de Mãe Bernadete, executada com 25 tiros dentro da sede do Quilombo Pitanga dos Palmares.
Apesar das primeiras condenações, o caso ainda não está totalmente encerrado no âmbito judiciário. Outros quatro réus que também são apontados como integrantes da trama criminosa que vitimou a líder religiosa e ativista ainda aguardam julgamento.
A motivação do crime, segundo as investigações, estaria ligada à atuação firme de Mãe Bernadete na defesa do território quilombola contra o avanço de grupos criminosos e a especulação imobiliária na região.
A líder quilombola era uma figura central na coordenação nacional de quilombos e lutava há anos pela elucidação de outro crime: a morte de seu filho, Binho do Quilombo, também assassinado em circunstâncias violentas em 2017.
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