Resumo
Uma discussão motivada por disputas comerciais entre médicos resultou em tragédia em Barueri, Grande São Paulo, quando Carlos Alberto Azevedo Filho matou a tiros Luiz Roberto Pelegrine e Vinícius dos Santos Oliveira na saída de um restaurante, sendo preso em flagrante pela Guarda Civil.
Uma investigação da Polícia Civil aponta que a motivação do crime envolve rixa antiga por contratos de licitação e negócios na área de gestão hospitalar, além de apurar como Carlos teve acesso à arma, suspeitando da participação de uma mulher que pode ter facilitado a entrega do revólver após revista inicial sem localizar o armamento.
Um registro de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) foi apresentado pelo atirador, mas a conduta é considerada ilegal pelo delegado, e a prisão em flagrante de Carlos Alberto foi convertida em preventiva enquanto familiares das vítimas, colegas e autoridades aguardam a conclusão do inquérito policial com depoimentos e análise de imagens.
Uma discussão motivada por disputas comerciais terminou em tragédia na cidade de Barueri, na Grande São Paulo. Dois médicos foram mortos a tiros na saída de um restaurante após um desentendimento com um terceiro médico, Carlos Alberto Azevedo Filho. O caso envolve disputa por licitações, uma arma que passou despercebida pela revista inicial e a prisão preventiva do atirador.
Confira abaixo, ponto a ponto, o que se sabe sobre o caso
Câmeras de segurança registraram o momento em que Carlos Alberto Azevedo Filho, vestindo uma camiseta branca, chega à mesa do restaurante. Ele cumprimenta as vítimas: primeiro Luiz Roberto Pelegrine, de 43 anos, e depois Vinícius dos Santos Oliveira, de 35 anos. Ambos também médicos.
O clima amistoso dura pouco. Uma discussão acalorada começou entre Carlos e Luiz, evoluindo rapidamente para agressões físicas.
A Guarda Civil de Barueri (GCM) foi acionada para conter a confusão dentro do estabelecimento. Os agentes foram informados de que um dos homens estaria armado e realizaram uma revista nos envolvidos. No entanto, naquele momento, nenhuma arma foi encontrada.
O momento dos disparos
A tragédia ocorreu do lado de fora do estabelecimento, quando a situação parecia estar controlada. Carlos Alberto sacou um revólver e disparou contra os colegas de profissão.
- Luiz Roberto Pelegrine foi atingido por oito tiros.
- Vinícius dos Santos Oliveira, que era funcionário de Luiz, também foi baleado.
As vítimas chegaram a ser socorridas e levadas ao hospital, mas não resistiram aos ferimentos. Carlos Alberto foi preso em flagrante pela Guarda Civil ainda no local.
A motivação: disputa por dinheiro e licitações
A principal linha de investigação aponta para uma rixa antiga envolvendo negócios. Tanto o atirador quanto a vítima Luiz Roberto eram proprietários de empresas de gestão hospitalar.
Em entrevista, o delegado responsável pelo caso afirmou que os desentendimentos ocorriam há algum tempo.
"Sempre contratos, contratos de licitação que eles disputavam ali para realizar. No fundo, tudo corria em torno do dinheiro que esses contratos poderiam gerar", explicou.
O mistério da arma e a suspeita de cúmplice
Um ponto crucial intriga a investigação: como Carlos Alberto teve acesso à arma se ele já havia sido revistado pela GCM?
A suspeita da polícia é que o revólver estava em uma mala, com o nome da empresa de Carlos, que teria sido entregue a ele já do lado de fora do restaurante. A polícia investiga a participação de uma mulher que teria facilitado o acesso à arma.
"Essa mulher está identificada, vai ser ouvida. Os amigos que estavam com ele também serão ouvidos para entender justamente esse ponto que ainda falta um pouquinho de melhor compreensão", afirmou o delegado.
A polícia quer esclarecer se a mulher trouxe a mala ou se o objeto já estava no local.
Prisão e registro de CAC
Carlos Alberto Azevedo Filho, que já possuía passagens pela polícia, passou por audiência de custódia e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.
À polícia, o atirador alegou ser CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador). A arma utilizada no crime foi apreendida.
O delegado do caso ressaltou que, mesmo com o registro de CAC, a conduta de Carlos era ilegal. Pela legislação atual, o atirador desportivo só pode transportar a arma de trajeto para treinamentos, desmuniciada e dentro da caixa (não a pronto uso).
"Claro que ele portando aquela arma, ele comete um crime de porte de arma", esclareceu o delegado.
As vítimas
O crime deixou famílias e colegas de profissão em luto:
- Vinícius dos Santos Oliveira (35 anos): Foi enterrado em Osasco, na Grande São Paulo. Ele deixa esposa e um filho de apenas um ano e meio.
- Luiz Roberto Pelegrine (43 anos): O corpo foi sepultado em Rafard, no interior de São Paulo, cidade localizada a cerca de 140 quilômetros da capital.
A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e analisando imagens para concluir o inquérito.
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