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Moradora de Paraisópolis: "Não peguei nada, só deu pra acordar meus filhos"

Dezenas de casas foram destruídas pelo fogo na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de SP

BÁRBARA GUIMARÃES

18/06/2026 • 11:08 • Atualizado em 18/06/2026 • 11:10

Duas moradoras da comunidade de Paraisópolis, localizada na zona sul de São Paulo, relataram ao Bora Brasil o desespero e as perdas totais sofridas durante um incêndio de grandes proporções que atingiu dezenas de moradias na região nesta quinta-feira (18). O fogo destruiu cerca de 50 casas e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros nas primeiras horas da manhã.

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Uma moradora, identificada apenas como Lu, descreveu o momento em que precisou abandonar a residência às pressas, sem conseguir salvar nenhum bem material de valor:

"Não deu tempo de pegar nada. Eu acordei com a minha vizinha Érica gritando: 'Olha o fogo!'. E eu saí para ver onde era. O fogo tava atrás da minha casa e eu voltei para em casa... só deu tempo de acordar meus filhos. Não deu tempo de pegar nada, só peguei meu documento e minhas crianças. Eu gritei para todo mundo sair e consegui pegar meu celular pra ligar pros Bombeiros, mas não deu tempo. Só deu tempo dos moradores saírem, todo mundo sair correndo de dentro das suas casas".

A moradora Érica também presenciou o início do incêndio na comunidade e detalhou como agiu para alertar a vizinhança sobre o avanço rápido das chamas. “Eu acordei por volta de umas 5h20 da manhã, ouvindo fortes estralos. Eu imaginei que o fogo viria do outro lado, já que tem mato e bambu. Ao abrir minha janela, eu me deparei com a claridão imensa. Minha única reação, de imediato, foi acordar minhas filhas — eu tenho duas —, as agasalhar e começar a gritar pros vizinhos que tava pegando fogo. Aí saí da minha casa, tirei minhas filhas e fui gritando nas portas que tava pegando fogo”.

Érica contou que os momentos de desespero para tirar todos os moradores com vida diante do fogo que já estava muito próximo das casas. “Quando a gente viu onde tinha começado o incêndio, já era muito perto, o fogo já tava numa proporção enorme. Com ajuda de vizinhos, eu consegui pegar o meu documento, minha televisão e o botijão de gás. E as pessoas foram, ali no seu desespero, na sua correria, cada um pegando o que conseguia, gritando uns aos outros. Graças a Deus não teve nenhuma vítima fatal. Tivemos uma perda de um cachorro da comunidade, a Maria, mas estamos bem”.

A moradora ainda desabafou sobre a incerteza das pessoas que ali viviam. "Eram as nossas casas, nossas moradias, nossos endereços. Muitas pessoas não têm para onde ir, eu mesmo não tenho. A única coisa que eu tinha na minha vida era minha casinha. Tenho família, eu sei que vou ter toda a ajuda, mas não não substitui nosso lar".

Atuação dos bombeiros e área de risco

De acordo com as informações apuradas, o incêndio começou na rua do Símbolo e afetou cerca de 50 moradias na Vila Andrade. O Corpo de Bombeiros atuou na ocorrência com 11 viaturas e 35 agentes para conter as chamas, que se espalharam com velocidade devido à presença de grande quantidade de madeira e materiais combustíveis no local.

A Defesa Civil iniciou o trabalho de catalogação das famílias afetadas para prestar assistência. O caso ocorre poucos dias após o Ministério Público comunicar oficialmente à Prefeitura de São Paulo sobre a necessidade de criar um plano habitacional específico para a comunidade por se tratar de uma área de risco.