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Políticas de cotas ampliam a diversidade nas universidades brasileiras no século XXI

Brasil ganhou Lei de Cotas em 2012, dez anos depois da primeira grande iniciativa de inclusão nas universidades

Da redação
DA REDAÇÃO

18/08/2025 • 09:51 • Atualizado em 18/08/2025 • 09:51

As universidades públicas brasileiras têm sido palco de mudanças no século XXI, que se refletem em toda a sociedade: as cotas raciais.

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A Lei de Cotas foi aprovada em 2012, depois de iniciativas experimentais. Em 2025, alunos pretos, pardos e indígenas representam 52% do corpo discente. Um cenário bem diferente do que se viu até o fim da década de 1990.

“As políticas de cotas nas universidades públicas brasileiras foram fundamentais para que a gente chegasse a essa transformação recente”, afirmou Marcia Lima, pesquisadora do Afro-Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e organizadora do livro O impacto das cotas: Duas décadas de ação afirmativa no ensino superior brasileiro (Autêntica Editora), em entrevista na edição desta segunda-feira (18) do Bora Brasil.

A pesquisadora lembrou também todo o caminho antes e depois da implantação da Lei de Cotas. A política começou no Brasil em 2002 a partir de uma iniciativa da UERJ, passando por uma fase de experimentação nacional até que virasse lei em 2012. Desde então, passou por aprimoramento, incluindo indígenas e quilombolas nos anos seguintes.

Marcia lembrou ainda uma das principais críticas recebida pelas cotas: a de que a legislação privilegia a etnia em detrimento da situação socioeconômica dos alunos. E fez questão de lembrar que o aperfeiçoamento trabalha para incluir estudantes de baixa renda, independente da cor da pele.

“Nessa diversidade socioeconômica e racial, a política contempla estudantes brancos de escolas públicas, de baixa renda. Não é uma diversidade apenas, uma política de cotas raciais. É uma política de cotas socioeconômicas, de outras etnias”, defendeu.

Graças a este aperfeiçoamento, segundo Marcia Lima, diversos segmentos da sociedade se tornaram mais diversas.

“Ao longo desses 23 anos, se a gente olhar para o Brasil, acho que mudou muito. As novelas, os telejornais... Hoje em dia, você não tem mais espaços de opinião pública sem que você tenha um especialista negro participando”, avaliou a pesquisadora. “A gente demorou no Brasil para reconhecer a nossa diversidade. E hoje a universidade pública brasileira tem a nossa cara.”