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Professora, servidor e carteiro: quem são os pacientes mortos em UTI do DF

Pacientes, que tinham entre 33 e 75 anos, morreram em uma UTI de um hospital do Distrito Federal. Três técnicos de enfermagem foram presos

4 min

20/01/2026 08:47 • Atualizado há 278 dias

Professora, servidor e carteiro: quem são os pacientes mortos em UTI do DF

Três técnicos de enfermagem foram presos pela Polícia Civil suspeitos de matar três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga, no Distrito Federal.

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A investigação aponta que os suspeitos injetavam substâncias não prescritas nos pacientes, incluindo desinfetante, o que levava a paradas cardiorrespiratórias fatais.

Em um dos casos identificados pela perícia, uma paciente recebeu pelo menos 10 doses de desinfetante diretamente na veia. Segundo informações, os crimes ocorriam em datas diferentes, e a motivação para os assassinatos ainda é desconhecida.

Quem são as vítimas

  • Miranilde Pereira da Silva, 75 anos

Professora aposentada da rede pública do Distrito Federal, Miranilde Pereira da Silva tinha, de 75 anos, morava em Taguatinga. Segundo o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), ela atuou por anos na Regional de Ensino de Ceilândia, na Escola Classe 03. Ela morreu em 17 de novembro.

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Em nota, o sindicato manifestou profundo pesar pela morte da professora aposentada. Segundo o órgão, Miranilde era comprometida com a educação pública do DF.

“Sua dedicação, sensibilidade e cuidado marcaram a trajetória de inúmeras crianças e fortaleceram a escola pública como um espaço de afeto, aprendizagem e cidadania”, disse Sinpro-DF. A professora Miranilde deixou três filhos, uma filha, duas netas e cinco netos.

  • João Clemente Pereira, 63 anos

João Clemente Pereira tinha 63 anos, morava no Riacho Fundo I e era servidor público da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), onde trabalhava como supervisor de manutenção.

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Segundo a Polícia Civil, ele recebeu duas aplicações de um medicamento de forma irregular.

  • Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos

Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, morador de Brazlândia. Ele era funcionário dos Correios e trabalhava no Centro de Distribuição Domiciliar (CDD) da região.

Em nota de pesar, o Sintect-DF prestou solidariedade aos familiares e colegas de trabalho. O velório ocorreu no dia 2 de dezembro.

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“Nossa solidariedade vai para os familiares, amigos e colegas de trabalho neste momento de despedida e dor. Descanse em paz, Marcos. O velório foi dia 2 dezembro, às 15h. No campo da esperança de Brazlândia”, declarou o sindicato.

Investigação

Até o momento, a polícia investiga cerca de 20 mortes que podem ter relação com a conduta dos técnicos. Três desses óbitos já apresentam fortes indícios de terem sido causados pela ação criminosa dos profissionais.

Um detalhe que agravou o caso foi a descoberta de que, após ser demitido do hospital onde os crimes começaram a ser notados, um dos técnicos conseguiu emprego em uma UTI pediátrica de outra unidade de saúde. A polícia destaca que ele continuou colocando vidas em risco, desta vez de crianças, até o momento de sua prisão.

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O hospital onde os crimes ocorreram afirmou que, assim que percebeu a conduta ilegal, demitiu os envolvidos e comunicou as autoridades para que a investigação fosse iniciada. A Polícia Científica segue analisando prontuários e realizando perícias para confirmar a extensão dos crimes cometidos pelo grupo.

O que disse o hospital

Em nota, o Hospital Anchieta informou que ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua UTI, a unidade de saúde instaurou, por iniciativa própria um comitê interno de análise e ”conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes”.

“Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026”, disse o hospital.

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“Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas”, acrescentou.

No comunicado, o hospital afirmou que entende que o segredo de justiça é “imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial”.

“O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça”, finalizou.

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