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Professora, servidor e carteiro: quem são os pacientes mortos em UTI do DF

Pacientes, que tinham entre 33 e 75 anos, morreram em uma UTI de um hospital do Distrito Federal. Três técnicos de enfermagem foram presos

Da redação
DA REDAÇÃO

20/01/2026 • 08:47 • Atualizado em 20/01/2026 • 08:47

Três técnicos de enfermagem foram presos pela Polícia Civil suspeitos de matar três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga, no Distrito Federal.

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A investigação aponta que os suspeitos injetavam substâncias não prescritas nos pacientes, incluindo desinfetante, o que levava a paradas cardiorrespiratórias fatais.

Em um dos casos identificados pela perícia, uma paciente recebeu pelo menos 10 doses de desinfetante diretamente na veia. Segundo informações, os crimes ocorriam em datas diferentes, e a motivação para os assassinatos ainda é desconhecida.

Quem são as vítimas

  • Miranilde Pereira da Silva, 75 anos

Professora aposentada da rede pública do Distrito Federal, Miranilde Pereira da Silva tinha, de 75 anos, morava em Taguatinga. Segundo o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), ela atuou por anos na Regional de Ensino de Ceilândia, na Escola Classe 03. Ela morreu em 17 de novembro.

Em nota, o sindicato manifestou profundo pesar pela morte da professora aposentada. Segundo o órgão, Miranilde era comprometida com a educação pública do DF.

“Sua dedicação, sensibilidade e cuidado marcaram a trajetória de inúmeras crianças e fortaleceram a escola pública como um espaço de afeto, aprendizagem e cidadania”, disse Sinpro-DF. A professora Miranilde deixou três filhos, uma filha, duas netas e cinco netos.

  • João Clemente Pereira, 63 anos

João Clemente Pereira tinha 63 anos, morava no Riacho Fundo I e era servidor público da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), onde trabalhava como supervisor de manutenção.

Segundo a Polícia Civil, ele recebeu duas aplicações de um medicamento de forma irregular.

  • Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos

Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, morador de Brazlândia. Ele era funcionário dos Correios e trabalhava no Centro de Distribuição Domiciliar (CDD) da região.

Em nota de pesar, o Sintect-DF prestou solidariedade aos familiares e colegas de trabalho. O velório ocorreu no dia 2 de dezembro.

“Nossa solidariedade vai para os familiares, amigos e colegas de trabalho neste momento de despedida e dor. Descanse em paz, Marcos. O velório foi dia 2 dezembro, às 15h. No campo da esperança de Brazlândia”, declarou o sindicato.

Investigação

Até o momento, a polícia investiga cerca de 20 mortes que podem ter relação com a conduta dos técnicos. Três desses óbitos já apresentam fortes indícios de terem sido causados pela ação criminosa dos profissionais.

Um detalhe que agravou o caso foi a descoberta de que, após ser demitido do hospital onde os crimes começaram a ser notados, um dos técnicos conseguiu emprego em uma UTI pediátrica de outra unidade de saúde. A polícia destaca que ele continuou colocando vidas em risco, desta vez de crianças, até o momento de sua prisão.

O hospital onde os crimes ocorreram afirmou que, assim que percebeu a conduta ilegal, demitiu os envolvidos e comunicou as autoridades para que a investigação fosse iniciada. A Polícia Científica segue analisando prontuários e realizando perícias para confirmar a extensão dos crimes cometidos pelo grupo.

O que disse o hospital

Em nota, o Hospital Anchieta informou que ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua UTI, a unidade de saúde instaurou, por iniciativa própria um comitê interno de análise e ”conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes”.

“Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026”, disse o hospital.

“Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas”, acrescentou.

No comunicado, o hospital afirmou que entende que o segredo de justiça é “imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial”.

“O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça”, finalizou.