O Vaticano informou, nesta terça-feira (18), que cancelou os compromissos do papa Francisco agendados até o final desta semana. O líder da Igreja Católica está internado em Roma, na Itália.
Segundo a Santa Sé, sala de imprensa do Vaticano, os compromissos de sábado (22) foram cancelados e a missa de domingo, na basílica de São Pedro, será comandada pelo Monsenhor Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização.
Papa Francisco está internado no hospital Agostino Gemelli desde a última sexta-feira (14) para tratar uma bronquite. Porém, o quadro de saúde do pontífice evoluiu para uma infecção respiratória polimicrobiana.
Em boletim médico divulgado nesta terça-feira (18), o Vaticano informou que o líder da Igreja Católica teve uma noite tranquila, tomou café da manhã e se dedicou à leitura de jornais.
No momento, o pontífice respira por conta própria e segue a recomendação de "repouso absoluto", prescrita pela equipe médica que o acompanha.
Francisco, quando era jovem, precisou remover parte de um dos pulmões devido uma doença respiratória. Ele assumiu a liderança da Igreja Católica em 2013 e enfrentou vários problemas de saúde durante esse período.
Segundo o Vaticano, essa é a quarta vez que o líder católico é internado no hospital de Roma. Antes, Francisco foi hospitalizado em junho de 2021 para uma cirurgia programada devido a uma estenose diverticular sintomática do cólon; em junho de 2023 para uma cirurgia de "laparotomia e reconstrução da parede abdominal", e em março de 2023 para exames médicos.
Infecção respiratória polimicrobiana
m entrevista à BandNews FM, a médica Carla Kobayshi, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, explicou o que é a doença e como ela afeta os idosos – o pontífice argentino tem 88 anos.
"Infecção polimicrobiana quer dizer que tem mais de um agente causando essa infecção. Geralmente, o mais comum em infecções respiratórias, como é o caso do papa, é a gente ter uma sobreposição entre a infecção de vírus, associada a uma infecção por bactéria. Então, tem mais de um agente causando esse quadro", explicou a doutora.
Carla Kobayshi também explicou que o quadro pode sim ser agravado pelo fato de o Papa Francisco não ter parte do pulmão direito. Ele precisou fazer a remoção de um pedaço do órgão quando tinha 21 anos, em decorrência de uma pneumonia grave.
"Além da questão da fraqueza do sistema imunológico [pela idade], comorbidades podem sim aumentar a chance de ele ter o quadro [infeccioso] e agravar essa infecção. Isso aumenta sim a chance de ele ter uma maior gravidade no quadro".
Por fim, a infectologista do Hospital Sírio-Libanês diz que o papa ainda deve demorar para receber alta. Além da resposta a antibióticos, ele precisa de uma resposta satisfatória do quadro clínico.
"Tem o tempo de recuperação daquele trato respiratório, do quadro de bronquite que foi descompensado. Então, é preciso ter uma melhora clínica não só da febre, mas que você não precise mais de oxigênio, com uma respiração não tão ofegante. Tem que ter essa melhora clínica, e com certeza vai ser mais demorado no caso dele”.
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