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Braga Netto diz que Cid mentiu sobre dinheiro e que não pressionou militares opostos ao golpe

Ex-ministro da Defesa e da Casa Civil e vice na chapa derrotada em 2022 está preso desde dezembro e prestou depoimento por videoconferência

WESLEY BIÃO

10/06/2025 • 19:46 • Atualizado em 10/06/2025 • 19:46

Preso, Braga netto depôs ao STF por vídeoconferência

Preso, Braga netto depôs ao STF por vídeoconferência

Antonio Augusto/STF

O ex-ministro da Defesa, da Casa Civil e vice-candidato de Jair Bolsonaro (PL) na chapa derrotada em 2022, Walter Braga Netto, disse em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10) que não é verdade a acusação feita de que ele teria entregue dinheiro ao tenente-coronel Mauro Cid em uma caixa de vinho.

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O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro disse em depoimento nesta terça-feira que repassou ao então major Rafael de Oliveira, integrante das Forças Especiais do Exército – os “kids pretos” –, "uma quantia em dinheiro" recebida das mãos do general, dinheiro esse que acreditava ser do “pessoal do agronegócio”.

"O general Braga Netto trouxe uma quantia em dinheiro, que eu não sei precisar quanto foi, com certeza não foi R$ 100 mil, que foi passado para o major de Oliveira, no próprio [Palácio da] Alvorada. Eu recebi do general Braga Netto no Palácio da Alvorada. Estava em uma caixa de vinho. Depois eu passei para o Major de Oliveira", relatou Cid a Moraes.

Braga Netto disse que, “na sua cabeça”, tinha algo “a ver com campanha”. O militar da reserva disse que pediu que Cid, então, procurasse o tesoureiro do Partido Liberal para que ele resolvesse a situação. Na versão do general, ele não tinha contato e nem pediu dinheiro a empresários, que “estavam mais interessados no Bolsonaro”.

"O Cid mesmo conta que veio atrás de mim e perguntou se o PL poderia arrumar um dinheiro. Era comum outros políticos pedirem pra pagar contas de campanha atrasadas. O Cid perguntou, e na minha cabeça tinha a ver com campanha. Ele procurou o Azevedo [tesoureiro do partido] que veio mais tarde e disse pra mim que o dinheiro que o Cid precisava não tinha amparo. Morreu o assunto.", disse Braga Netto.

O ex-ministro também negou que tenha liderado uma campanha de para pressionar os então comandantes do Exército e da Força Aérea Brasileira – general Freire Gomes e tenente-brigadeiro Baptista Júnior, respectivamente – a aderirem a intentona golpista. De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), foi o ex-militar quem liderou uma campanha de ataque aos colegas de farda.

"Jamais ordenei ou coordenei ataques a nenhum dos chefes militares. Pelo contato que eu tinha com eles, se tivesse que falar alguma coisa, falaria pessoalmente", afirmou.

Braga Netto também afirmou que “nunca ouviu falar” do chamado plano Punhal Verde e Amarelo, que previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do seu vice, Geraldo Alckmin (PSB) e de Moraes. Sobre os ataques de 8 de janeiro, o candidato derrotado disse que ficou “horrorizado” com o que classificou como vandalismo.

"Meu filho me ligou pra dizer o que estava acontecendo. Nunca vi manifestação de direita que não fosse ordeira. Quando eu vi aquilo, me horrorizou, aquilo foi vandalismo", afirmou.

Braga Netto foi o último dos oito a serem ouvidos e o único que prestou depoimento de forma remota. O ex-militar está preso desde 14 de dezembro de 2024, acusado de atrapalhar as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado – fato que rendeu um momento curioso. Quando questionado por Moraes se já havia sido preso, o ex-ministro riu e disse que estava preso naquele momento. O magistrado retrucou, dizendo “eu sei que o senhor está, fui eu quem decretei”.

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