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Brasil dá como certa adoção de novo tarifaço dos EUA e estuda reciprocidade

Governo brasileiro classifica as tarifas como injustas e afirma que nenhuma das razões apontadas justifica as alíquotas

Por Redação
REDAÇÃO

15/07/2026 • 09:37 • Atualizado em 15/07/2026 • 09:37

Sonia Blota
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Dia D para os Estados Unidos anunciarem a decisão sobre a adoção de uma tarifa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros. Atualmente, as exportações já sofrem com uma alíquota geral de 10%, aplicada a todos os países que têm comércio com os americanos, e agora o Brasil pode ter mais 25%.

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Para essa nova imposição tarifária, Washington acusa o Brasil de práticas nocivas às empresas norte-americanas em assuntos como comércio digital e serviços de pagamento, propriedade intelectual, desmatamento ilegal, combate à corrupção e tarifas preferenciais concedidas pelo país a outros parceiros.

O governo brasileiro já dá como certa a adoção desta alíquota, classifica as tarifas como injustas e afirma que nenhuma das razões apontadas justifica o tarifaço. E já estuda medidas de reciprocidade, o que terá de ser muito bem feito para que essa guerra não escale ainda mais.

De qualquer forma, o Palácio do Planalto tenta negociar uma lista de exceções. Empresários brasileiros e dos Estados Unidos pressionam por essas exceções, já que este tarifaço não atinge somente as nossas exportações, mas também empresas americanas que importam itens brasileiros para suas cadeias produtivas e o próprio cidadão americano, que vai pagar mais caro pelo consumo desses produtos.

Itens estratégicos, como carne, café, suco de laranja, madeira, calçados, petróleo e aeronaves, podem ficar de fora da taxação devido ao esforço concentrado do grupo de negociação.

Queda nas exportações e busca por alternativas

E este novo cenário de tarifas e incertezas já afeta empresas e empregos no Brasil. No último ano, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram o menor nível em três décadas. A participação dos Estados Unidos nas vendas externas do Brasil recuou para apenas 9,3% do total exportado pelo país.

Além de seguir negociando com os Estados Unidos, o governo, junto com empresários brasileiros, busca novos mercados diante deste novo cenário, em que o protecionismo no mundo continua aumentando. Por isso, a busca por acordos comerciais entre blocos é uma das opções.

Este ano, o Mercosul — grupo formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — assinou o acordo com a União Europeia depois de 25 anos, e todos sabem que a implementação será lenta, mas é um bom sinal.

O Mercosul também negocia tratados com o Japão, a Índia e, agora, outra parceria que deve ser formalizada com o Canadá até o final do ano, o que representa um mercado de mais de 270 milhões de consumidores.

Uma força-tarefa que não cabe somente ao governo buscar soluções, mas também à iniciativa privada, que deve atuar de forma mais agressiva para se adaptar a este novo cenário mundial.

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