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Prazo final: EUA devem decidir hoje sobre tarifas a produtos brasileiros

Governo Trump pode impor tarifas de até 37,5%; Brasil cria estratégia para três cenários

Da redação
DA REDAÇÃO

15/07/2026 • 07:00 • Atualizado em 15/07/2026 • 07:00

Trump durante encontro de líderes da OTAN

Trump durante encontro de líderes da OTAN

Umit Bektas/Retuers

O clima é de apreensão e intensa atividade diplomática nos bastidores de Brasília e Washington. O governo de Donald Trump deve decidir nesta quarta-feira (15) se vai impor novas tarifas de importação sobre produtos brasileiros.

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A medida, proposta pelo Gabinete do Representante Comercial dos EUA (USTR) após mais de um ano de investigação, prevê uma sobretaxa 25%, sob a alegação de prática prejudiciais ao mercado norte-americano, podendo haver um adicional de mais 12,5% por suposta falha na fiscalização de trabalho forçado.

O governo brasileiro classificando as conclusões do relatório como "arbitrárias" e "errôneas". Em documento enviado ao governo dos EUA, o Brasil destaca que o relatório não identificou um único caso específico de mercadoria produzida com trabalho escravo que tenha entrado no mercado americano.

Pelo contrário, a defesa brasileira ressaltou o rigor do seu arcabouço legal, incluindo a "Lista Suja" do trabalho escravo, reconhecida internacionalmente.

Além dos esforços do governo, uma comitiva de empresários brasileiros também visitou os EUA com a estratégia de mostrar que o "tarifaço" é um "tiro no pé": como os norte-americanos mantêm um superávit comercial de US$ 29 bilhões com o Brasil, a taxação encareceria alimentos, remédios e insumos para as indústrias e consumidores do país.

Os três cenários do Planalto

Diante da iminência da decisão, o governo Lula traçou três estratégias de resposta:

  • Confirmação das tarifas: Considerado o desfecho mais provável, levará o Brasil a buscar novos mercados e preparar medidas de apoio aos setores afetados;
  • Adiamento político: Caso Trump decida postergar a medida por razões de conveniência política, a estratégia do Planalto será reforçar o discurso de defesa da soberania nacional e atribuir a escalada da crise comercial à atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) junto ao governo americano;
  • Adiamento técnico: Nessa hipótese, o governo pretende aproveitar o prazo adicional para intensificar as negociações com os Estados Unidos e tentar construir uma saída que evite a implementação das tarifas.

Fator Bolsonaro

Apesar do tom técnico das negociações, o componente político tem sido muito forte em torno das negociações para tentar impedir a implementação do novo tarifaço, principalmente pelo envolvimento do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que chegou a participar da audiência pública sobre o caso que aconteceu nos EUA.

Na ocasião, Flávio Bolsonaro disparou críticas ao STF e defendeu o Pix. “Fiz ali a minha parte, estou muito feliz, muito satisfeito com o resultado da defesa que a gente fez e vamos lá continuar lutando pelo nosso Brasil. Estou fazendo o meu trabalho, defendendo aquilo que eu acredito, defendendo os interesses do povo brasileiro”.

Já Lula criticou a iniciativa de Flávio. Lula acusou a família Bolsonaro de "entreguismo" por submeter o Brasil aos interesses norte-americanos e por solicitar que o tarifaço seja adiado para depois das eleições. Para o presidente "nunca houve e não há qualquer justificativa para o tarifaço, agora ou depois [das eleições]".

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