A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), dividiu o cenário político. Para o comentarista Fernando Schüler, a medida, que impõe uma incomunicabilidade de 90 dias entre pai e filho, possui um foco claro: retirar inteiramente a influência de Jair Bolsonaro das eleições de 2026.
Schüler destaca que a determinação acentua a percepção de que o Brasil vive sob um regime de "dois pesos e duas medidas". Ele faz uma comparação direta com o cenário de 2018, quando o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), então preso em Curitiba, mantinha uma rotina intensa de militância política.
Naquela época, Lula recebia visitas quase diárias de lideranças, escrevia inúmeras cartas e comandava ativamente a campanha eleitoral do PT e de seus aliados.
Então, sem entrar na análise do mérito jurídico, porque a análise do mérito jurídico no Brasil ficou muito difícil nos últimos anos, na medida que qualquer coisa é possível a partir da subjetividade do juiz, nesse caso do ministro que toma a decisão, mas o efeito político é evidente. --Fernando Schüler
Live, carta e medidas cautelares
O estopim para a decisão de Moraes foi a divulgação, no último sábado (11), de uma mensagem de Jair Bolsonaro lida por Flávio em uma live. O magistrado interpretou o ato como um desrespeito às medidas cautelares, argumentando que o ex-presidente utilizou o filho como intermediário para burlar a proibição do uso de redes sociais.
Moraes também levantou a possibilidade de a carta configurar propaganda eleitoral antecipada, encaminhando o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral.
Antes da restrição às visitas, o Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou um pedido no STF para que a prisão domiciliar de Bolsonaro seja revogada. Schüler avalia que essa movimentação pode ser um "tiro no pé" do ponto de vista de marketing político, pois pode intensificar a narrativa de vitimização do ex-presidente perante a opinião pública.
Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência, atacou a decisão em uma transmissão ao vivo, nesta segunda-feira (13), classificando-a como uma interferência direta no processo eleitoral, visto que o prazo da suspensão se encerra convenientemente após o primeiro turno das eleições.
Essa desculpa esfarrapada, sem nenhum fundamento, uma decisão impedindo um filho de falar com o próprio pai por 90 dias, não coincidentemente esse prazo encerra após o primeiro turno das eleições. Isso é uma tentativa de um governo que não tem a capacidade de fazer isso. --Flávio Bolsonaro
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