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Lula critica família Bolsonaro por 'entreguismo' em negociação de tarifas

Presidente respondeu ao pedido de Flávio Bolsonaro para que EUA adiem taxas para depois das eleições

Da redação
DA REDAÇÃO

02/07/2026 • 17:35 • Atualizado em 02/07/2026 • 22:40

Lula

Lula

Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom e voltou a classificar como uma atitude de "traidores da Pátria" o documento enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos. O objetivo do parlamentar é adiar as tarifas contra produtos brasileiros e abrir um mecanismo de negociação bilateral.

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Nas redes sociais, Lula acusou a família Bolsonaro de "entreguismo" por submeter o Brasil aos interesses norte-americanos e por solicitar que o aumento das tarifas contra produtos brasileiros seja adiado para depois das eleições. Para o presidente "nunca houve e não há qualquer justificativa para o tarifaço, agora ou depois [das eleições]".

Lula afirmou ainda que a própria família Bolsonaro teria motivado originalmente a retaliação de Washington e garantiu que o governo não abrirá mão de conquistas como o Pix e o fortalecimento do Mercosul, declarando que a soberania nacional é "inegociável".

É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano. Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer nação do mundo. --Lula

O motivo do embate

A manifestação de Lula ocorre em resposta direta ao senador Flávio Bolsonaro, que protocolou um pedido oficial junto ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) para suspender a taxação de 25% sobre exportações brasileiras.

Na visão do senador, a aplicação imediata das tarifas falha estrategicamente e acaba por favorecer politicamente o governo Lula, permitindo que o atual presidente converta a retaliação em uma "vitória política doméstica" ao se colocar como defensor do país.

Flávio Bolsonaro sugeriu aos americanos que o caminho para a correção das relações bilaterais seria a eleição de 2026, indicando que uma mudança no comando do Brasil poderia reverter decretos e leis que hoje incomodam Washington.

Caso as negociações não avancem, o parlamentar propôs a exclusão de produtos específicos da taxação --como aeronaves da Embraer, aço e celulose-- para proteger investidores e evitar inflação nos EUA.

Defesa técnica do governo

Enquanto o debate político se acirra, o Estado brasileiro enviou uma resposta técnica de 29 páginas para contestar o "tarifaço". No documento, o Ministério das Relações Exteriores refuta as acusações de práticas "injustas", defendendo que:

  • O Pix é uma ferramenta de inclusão financeira e não exclui empresas estrangeiras;
  • O Brasil é líder em resoluções conjuntas com os EUA contra a corrupção transnacional;
  • Houve um aumento de 87,6% no orçamento de fiscalização ambiental, com redução sistemática do desmatamento nos últimos três anos.