
Lula
Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom e voltou a classificar como uma atitude de "traidores da Pátria" o documento enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos. O objetivo do parlamentar é adiar as tarifas contra produtos brasileiros e abrir um mecanismo de negociação bilateral.
Nas redes sociais, Lula acusou a família Bolsonaro de "entreguismo" por submeter o Brasil aos interesses norte-americanos e por solicitar que o aumento das tarifas contra produtos brasileiros seja adiado para depois das eleições. Para o presidente "nunca houve e não há qualquer justificativa para o tarifaço, agora ou depois [das eleições]".
Lula afirmou ainda que a própria família Bolsonaro teria motivado originalmente a retaliação de Washington e garantiu que o governo não abrirá mão de conquistas como o Pix e o fortalecimento do Mercosul, declarando que a soberania nacional é "inegociável".
É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano. Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer nação do mundo. --Lula
O motivo do embate
A manifestação de Lula ocorre em resposta direta ao senador Flávio Bolsonaro, que protocolou um pedido oficial junto ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) para suspender a taxação de 25% sobre exportações brasileiras.
Na visão do senador, a aplicação imediata das tarifas falha estrategicamente e acaba por favorecer politicamente o governo Lula, permitindo que o atual presidente converta a retaliação em uma "vitória política doméstica" ao se colocar como defensor do país.
Flávio Bolsonaro sugeriu aos americanos que o caminho para a correção das relações bilaterais seria a eleição de 2026, indicando que uma mudança no comando do Brasil poderia reverter decretos e leis que hoje incomodam Washington.
Caso as negociações não avancem, o parlamentar propôs a exclusão de produtos específicos da taxação --como aeronaves da Embraer, aço e celulose-- para proteger investidores e evitar inflação nos EUA.
Defesa técnica do governo
Enquanto o debate político se acirra, o Estado brasileiro enviou uma resposta técnica de 29 páginas para contestar o "tarifaço". No documento, o Ministério das Relações Exteriores refuta as acusações de práticas "injustas", defendendo que:
- O Pix é uma ferramenta de inclusão financeira e não exclui empresas estrangeiras;
- O Brasil é líder em resoluções conjuntas com os EUA contra a corrupção transnacional;
- Houve um aumento de 87,6% no orçamento de fiscalização ambiental, com redução sistemática do desmatamento nos últimos três anos.
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