O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou nesta terça-feira (7) aos Estados Unidos que as novas tarifas não sejam aplicadas e apresentou críticas à atual gestão do governo federal, além de questionar a atuação do Poder Judiciário. O pré-candidato à Presidência da República participou de audiência pública em Washington sobre políticas e práticas do Brasil no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974.
Segundo fontes, o parlamentar responsabilizou o Supremo Tribunal Federal (STF) por decisões relacionadas às redes sociais durante a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao abrir seu discurso, Flávio solicitou que os membros da Comissão “não imponham as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do Pix e cancelem esta medida para que possamos negociar.” O senador lembrou já ter feito o mesmo apelo ao presidente Donald Trump, ao vice-presidente James David Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, no mês de maio.

Flávio Bolsonaro e o irmão Eduardo na audiência pública em Washington (foto: @BolsonaroSP/Reprodução)
Críticas ao governo
Durante a sua fala, o senador mencionou o mensalão, além de suspeitas envolvendo o INSS e o Banco Master. O parlamentar também citou investigações sobre o filho do presidente.
“Sobre isso (corrupção), não há divergência. Mas a corrupção tem responsáveis identificáveis. A corrupção tornou-se uma característica marcante da esquerda política brasileira. O povo brasileiro não deve ser punido por isso”, disse.
Flávio Bolsonaro afirmou que não houve registros de corrupção do tipo nos quatro anos em que seu pai, Jair Bolsonaro (PL), esteve à frente da presidência da República.
“Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter - premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências - seria o pior momento possível para agir”, disse Flávio, em um apelo aos membros da Comissão.
Pix
Além das críticas, o parlamentar aproveitou o espaço para fazer uma defesa do Pix. Segundo o senador, o modelo de pagamento incluiu pessoas de baixa renda no mercado financeiro e funciona como um complemento ao sistema de pagamentos vigente nos Estados Unidos.
Diante desse cenário, o senador reiterou o pedido para que não sejam aplicadas taxas sobre as transações financeiras realizadas pelos usuários brasileiros.
“O Pix não é um problema a ser corrigido. É uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao trazer milhões de brasileiros - especialmente os mais pobres - para a economia formal. Esse avanço também beneficiou diretamente empresas americanas, já que o volume de transações processadas por cartões de pagamento emitidos por bandeiras dos Estados Unidos continuou crescendo paralelamente à ampla adoção do PIX, uma vez que essas empresas prestam serviços que se complementam, e não competem com o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos”, disse.

Flávio Bolsonaro durante audiência pública em Washington (foto: Fernando Pessoa/Divulgação)
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