Desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, nenhum país no mundo enfrentou um aumento de barreiras comerciais tão severo quanto o Brasil, segundo levantamento da Global Trade Alert (GTA) divulgado pela BBC.
De acordo com os dadod, a tarifa média imposta dos produtos brasileiros pelos EUA era de 1,19% quando Trump assumiu seu segundo mandato. Atualmente, esse percentual é de 11,66% e chegará a 14,42% quando entrar em vigor o tarifaço anunciado nesta quinta-feira (16).
A carga tributária imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros só é superada pela aplicada aos produtos chineses, que chegará a 21,5%.
O impacto inicial dos 25% de sobretaxa anunciado pelo governo americano aos produtos brasileiros, deve atingir cerca de 18% de tudo o que o Brasil exporta para os EUA, o que representa uma perda potencial de US$ 7,4 bilhões anuais. Entre os setores mais prejudicados estão os de etanol, vestuário, calçados e máquinas agrícolas.
A situação pode agravar-se ainda mais na próxima sexta-feira (24), quando termina uma investigação paralela sobre trabalho forçado. Caso o parecer seja desfavorável ao Brasil, uma taxa adicional de 12,5% será aplicada, elevando o total de tributos para 37,5% em determinados itens.
Justificativas políticas e diplomáticas
A administração americana justifica a escalada tarifária alegando que o governo brasileiro "não negociou de boa fé". Washington cita uma lista extensa de queixas, que vão desde a falta de combate ao desmatamento e à corrupção até críticas ao sistema de pagamentos eletrónicos Pix e preocupações com a liberdade de expressão e decisões judiciais contra plataformas digitais.
O Secretário de Estado, Marco Rubio, personalizou a crise ao declarar que o presidente Lula colocou o seu "ego" à frente do bem-estar do povo brasileiro ao não ceder nas negociações.
Apesar da agressividade das novas taxas, o próprio governo Trump reconhece o desequilíbrio na balança comercial em favor dos americanos. Durante sabatina no Congresso, o indicado para embaixador dos EUA no Brasil, Daniel Perez, admitiu que os Estados Unidos possuem um "superavit comercial massivo" em relação ao Brasil.
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