
Farmácia Popular
Arquivo/Agência Brasil
Dois medicamentos importados e de alto custo começarão a ser produzidos no Brasil, o que representa um avanço para facilitar o acesso de pacientes a tratamentos de doenças graves. A iniciativa é fruto de uma parceria entre laboratórios oficiais e indústrias farmacêuticas privadas.
Produção da Lenalidomida
Um dos medicamentos que terá fabricação nacional é a Lenalidomida, utilizada no tratamento de mieloma múltiplo e de alguns tipos de linfomas. Atualmente, o remédio é vendido nas farmácias por valores que ultrapassam R$ 15 mil.
A produção da Lenalidomida será feita pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), laboratório ligado ao Governo de Minas Gerais, em parceria com duas indústrias farmacêuticas.
O presidente da Hipolabor, Renato Alves, uma das empresas parceiras, explica que o apoio será dado em áreas como o desenvolvimento analítico, aquisição de insumos, logística e suporte regulatório.
"Pouquíssimos pacientes têm acesso a ela, e com essa parceria, com certeza, a gente vai conseguir ter uma redução extremamente significativa. Eu estimo que 20 vezes mais barato do que o medicamento está sendo comercializado."
A fabricação da Lenalidomida no Brasil já possui autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e deve ser iniciada no primeiro semestre do ano que vem (2026). A expectativa é que o desenvolvimento do medicamento esteja finalizado até 2027 para então ser registrado na Anvisa e disponibilizado ao mercado.
Fabricação do Aflibercepte
O outro medicamento que será fabricado no país é o Aflibercepte, indicado para o tratamento da degeneração macular, uma condição que afeta a visão. Estima-se que cerca de 3 milhões de pessoas com mais de 65 anos sofram com esta doença no Brasil.
O projeto para o início da fabricação do Aflibercepte está atualmente em fase de certificação junto à Anvisa e ao Ministério da Saúde.
O presidente da Funed, Felipe Attiê, ressalta o alto custo atual do produto e a importância da produção nacional, especialmente para o Sistema Único de Saúde (SUS):
"Ele é muito caro, chega a ser 3 mil reais cada um... é algo viável, tangível economicamente e de muita importância para aliviar o sofrimento e salvar vidas dos pacientes do SUS... É muito importante a gente ter essa condição de fabricar isso o mais rápido possível."
A produção nacional de ambos os medicamentos visa garantir que tratamentos vitais se tornem mais acessíveis e economicamente viáveis para o sistema de saúde pública e para a população.
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