Brasil pode ser tornar um país armado de bombas atômicas?
Professor Dawisson Belém analisa: Brasil tem capacidade nuclear, mas enfrentaria alto custo político para uso bélico

Na coluna, o professor Dawisson Belém Lopes analisa a possibilidade de o Brasil desenvolver tecnologia nuclear para fins militares e os impactos políticos e diplomáticos dessa decisão. A discussão parte da proposta de Renan Santos de criar uma tecnologia nuclear brasileira reversível para fins bélicos.
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Dawisson lembra que o Brasil resistiu por décadas ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), por considerar desigual a divisão entre países autorizados e não autorizados a possuir armas atômicas. O país aderiu ao tratado em 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, após a Constituição de 1988 já ter estabelecido a finalidade pacífica da atividade nuclear brasileira.
Segundo o professor, o Brasil possui conhecimento técnico e estrutura para ampliar o enriquecimento de urânio, caso houvesse uma decisão política nesse sentido. No entanto, a mudança exigiria alterações constitucionais e provocaria fortes consequências diplomáticas, incluindo possíveis sanções internacionais e uma eventual corrida armamentista na América do Sul.
A análise também considera o atual cenário geopolítico. O conflito entre Rússia e Ucrânia é citado como exemplo da importância da capacidade de dissuasão militar, enquanto países como Japão e Alemanha vêm aumentando os investimentos em defesa.
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Apesar disso, Dawisson avalia que a melhor oportunidade para o Brasil desenvolver uma capacidade nuclear militar ocorreu décadas atrás. Na avaliação do professor, retomar esse projeto atualmente teria um custo político e diplomático muito maior para o país.
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