As imagens das câmeras corporais da Polícia Militar e registros feitos por moradores detalham a sequência de eventos que resultou na morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, na madrugada desta sexta-feira. O caso ocorreu na Cidade Tiradentes, no extremo leste da capital paulista.
De acordo com as imagens, o conflito teve início por volta das 2h58, quando uma viatura da Polícia Militar entrou em uma rua estreita do bairro. Durante a manobra, o retrovisor do veículo atingiu o braço de um homem, identificado como Luciano, marido de Thawanna. O policial que conduzia a viatura deu marcha à ré e iniciou uma discussão verbal com os civis que estavam no local.
A soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, desembarcou do veículo e se dirigiu à vítima. Em menos de um minuto de interação, um disparo de arma de fogo foi efetuado, atingindo a região abdominal de Thawanna. No estúdio, Joel Datena destaca a rapidez com que a situação escalou para o uso de força letal.
Dinâmica do incidente e socorro
A soldado que efetuou o disparo não utilizava câmera corporal no momento da ocorrência. No entanto, o equipamento de seu colega de farda registrou o diálogo imediatamente posterior ao tiro. Nas imagens, o marido da vítima questiona a ação policial: "Você atirou nela?". Em resposta, a soldado Yasmin alega ter sido agredida fisicamente pela vítima, afirmando que Thawanna teria desferido um tapa em seu rosto, versão que é contestada por Luciano.
Após o disparo, os policiais solicitaram apoio e o envio de uma ambulância via Copom. Enquanto aguardavam o socorro, um dos agentes prestou os primeiros socorros à mulher, que permanecia caída na via. Outros policiais chegaram ao local posteriormente e foram informados pelos colegas sobre a dinâmica do ocorrido, descrevendo que a abordagem teria começado após o incidente com o retrovisor.
Thawanna aguardou pelo atendimento médico por cerca de vinte minutos no local. O resgate chegou aproximadamente às 3h30 e encaminhou a vítima a uma unidade hospitalar próxima. Ela passou por procedimentos cirúrgicos, mas não resistiu aos ferimentos e teve o óbito confirmado.
Investigação e afastamento
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso é investigado com prioridade pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Paralelamente, a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes.
Os dois policiais envolvidos na ocorrência foram afastados das atividades operacionais até a conclusão das investigações. Segundo informações apuradas, a soldado Yasmin Cursino Ferreira estava na corporação e atuando nas ruas há apenas três meses. Em depoimento, o marido da vítima criticou o método utilizado na contenção, afirmando que outras alternativas de menor potencial ofensivo poderiam ter sido aplicadas antes do uso da arma de fogo.
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